segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

seis filmes na corrente

Desafiado pela Angela, aqui faço a minha (injusta) selecção de seis filmes:

Acima de tudo e todos, o grande, o insubstituível (com direito a cartaz na minha sala e tudo!), Disponível para Amar, de Wong Kar-Wai. Não tenho palavras para descrever este filme que já vi e revi imensas vezes, do qual passo muito e muito tempo a ouvir a banda sonora, e que tem em 2046 uma continuação à altura (embora eu resista a colocar este segundo na lista dos seis nomeados).

Em segundo lugar, Um Eléctrico chamado Desejo, de Elia Kazan. Vi pela primeira vez este filme, deveria ter uns 17 anos, numa aula de Expressão Dramática, no Liceu. Fiquei estranhamente perturbado com o filme, sobretudo com aquela personagem do tamanho do mundo na pele do Marlon Brando (que eu tenho gravado na memória, quase com o dobro do tamanho, no Apocalipse Now). Do mesmo realizador, mas aí culpa do Ruy Belo e da Natalie Wood, Esplendor na Relva fica à porta da nomeação (mas não entra).

Em terceiro lugar a homenagem a um dos meus realizadores de eleição, João César Monteiro. Escolho A Comédia de Deus porque foi o primeiro filme dele que vi, nos Cinemas King, depois de uma épica viagem de táxi com o meu irmão e a minha prima, jovens adolescentes que foram arrastados por mim para aquela sessão de cinema que acabou com o João César Monteiro em carne e osso a tirar-nos as medidas no café do King (e com certeza a pensar que a juventude estava perdida...). Não esquecer que Recordações da Casa Amarela (que eu vi mil vezes) e vários outros filmes do João César são refeição habitual para mim.

Em quarto lugar, e já que falamos de cinema português, O Rei das Berlengas, de Artur Semedo. Caso alguém saiba se este filme já foi lançado em DVD, avise-me (e se puder, envie-me pelo correio que eu compensá-lo-ei devidamente). É um filme excelente que eu nunca mais pude ver porque deixei de ter VHS e, logo a seguir, perdi uma série de cassetes que ficaram em casa da minha mãe. Mas sim, arrisco, é do melhor que o cinema português poderá alguma vez fazer, porque é um filme português em todos os sentidos e milésimos de segundo de fita.

Em quinto lugar, World Park, de outro realizador de quem eu não perco um filme, o Zhang Ke Jia. Escolho este filme porque conjuga a esperança, o desencanto, o capitalismo, o mercado, a miséria, o comunismo, tudo e mais alguma coisa num filme só. Acho que raramente se encontram filmes assim, mas com este realizador, está-se sempre num mundo em que tudo acontece ao mesmo tempo. Como no mundo a sério, talvez.

O último da lista dos seis é uma comédia, O Inimigo Público Nº 1, de Woody Allen. Toda a lógica do falhado aparece neste que é um dos primeiros filmes de Woody. Acho que, injustamente, é poucas vezes lembrado no meio da vasta produção do autor. Mas do Woody Allen eu poderia escolher quase uns dez filmes para esta lista, portanto não levo isso muito a peito.

Acabo a lista e acho incrível não ter tido espaço para nenhum realizador francês, para o Quentin Tarantino, para o Vincent Gallo, para o Mike Leigh... Mas pediram-me seis e eu, a custo, escolhi-os.

Passo o desafio para a Justa, para a Inês, para o Fernando, para o Diogo e para a Valex.

1 comentário:

  1. aqui no brasil "disponível para amar" se chama "amor à flor da pele". acho q entrava na minha lista tb, embora eu tenha visto só uma vez...

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