domingo, 23 de dezembro de 2007

Jacques Rodrigues e os 25 euros

O Sr. Jacques Rodrigues enviou, na sua mensagem de natal aos trabalhadores do Grupo Impala, do qual é Presidente, um aviso à navegação para o ano de 2008: este ano que passou foi um ano de crise, com quebras nas vendas, devido à “falta de profissionalismo de alguns colaboradores, em prejuízo dos demais e das empresas”, e o ano que aí vem arrisca-se a ser bem pior. Assim vai preparando terreno para mais despedimentos neste Grupo.

No entanto, não me apetece comentar o que se passa na Grupo Impala, mas sim o que se passa no mercado empresarial no geral. Este discurso do Sr. Jacques Rodrigues não é de todo estranho aos nossos ouvidos, já que é o discurso corrente de empresários e investidores. Ou seja, perante o cenário negro da economia nacional, culpa e carga nos trabalhadores. Para juntar ao regabofe, o aumento do salário mínimo vem trazer ainda mais pressão para aqueles que são os desprotegidos do sistema: os milhões de trabalhadores, especializados e não-especializados, que vivem sob o espectro dos baixos salários.

Ao acreditar nos números, só 5,5% dos trabalhadores recebem o salário mínimo (426 € a partir de Janeiro de 2008), mas a verdade é que essa aparentemente baixa percentagem de pessoas funciona como referência para grande parte do mercado de trabalho, levando a que uma grande quantidade de pessoas viva com salários entre os 426€ e os 600 €. Ora, apesar de sindicatos e trabalhadores acharem o aumento dos 25 euros do SMN razões para festejos, a mim é um alerta para a pobreza e para a miséria que vivemos neste país. Faça o exercício de viver um mês gastando 426€. Faça o exercício de viver um ano gastando 5964 €. Não precisa sequer de passar pelas necessidades. Faça-o numa folha de excel.

Perante o cenário do nosso país, onde juntamos à questão salarial a questão do emprego - sim, porque formamos pessoas sem garantias de postos de trabalhos onde essa formação sirva para alguma coisa - não deixa de ser uma profunda insensatez e brutalidade um empresário vir culpar funcionários a quem paga abaixo de cão, a quem exige tudo e não dá qualquer contrapartida, dos insucessos da economia. Não é ao funcionário que se deve exigir produtividade, é à empresa, ao conjunto de factores e sistemas implementados dentro da empresa que visam permitir o melhor aproveitamento dos recursos e crescimento de resultados. Enquanto se acreditar que se consegue isto à custa de baixos salários e de disseminação de culpas, meus amigos, não vamos longe.

3 comentários:

  1. Verdade...
    Produzir às expensas do sangue alheio...
    Abraço.

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  2. A carta do Jacques Rodrigues é apenas e só UMA das brilhantes actuações desta criatura porque se o seu blog fosse de anedotas, divertia-me aqui a deixar-lhe INÚMERAS, todas com este actor principal.

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  3. o Sr. Jacques para mim é um s€dutor muito bom a todos os niveis, quero que ele me faça mais um filho quando voltar dos Islão. ass. Marian Oleo Fula

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