quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Chuva / Escuro

Dizes-me que estás deitada, a ouvir a chuva e o vento a bater na tua janela. Eu sorrio. Pouso o telemóvel e retomo um livro. Aqui também há chuva, ameaças de tempestade, noite escura. Mergulho para dentro das palavras, onde me sinto melhor.

(...)

A meio da noite acordo e tudo parece escuro. Está bem assim, a noite prolongada, a cama quente. Adormeço de novo.

(...)

Torno a acordar, mais tarde. Ainda o escuro. Repete-se a cena. Mas o meu lado céptico leva-me a esperar um pouco mais, de olhos abertos. E então o escuro vai-se desfazendo lentamente até que percebo o dia a entrar pelo quarto, a reflectir-se nas paredes brancas. E então percebo. Todos os mistérios vêm sempre um pouco mais tarde que o despertar.

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