sábado, 29 de dezembro de 2007

Venda a Retalho

Os vulgares que me perdoem, mas a paixão é fundamental.

(este não é um post sobre comércio)

Férias (5)

Passar a ter, na sala, um armário exclusivamente para a poesia.
223 volumes, neste preciso momento.

Férias (4)

Estar um pouco inseguro quanto à possibilidade de colocar um volume na mala do carro.

Férias (3)

Estar fora. Por fora. De fora. Fora.
Mesmo fora.

Férias (2)

Fnac de Alfragide.
Assumidamente uma loja de electrodomésticos com extras.
Um café Fnac com ares de Maxime Chic.
L'homme sans qualités, de Robert Musil, em versão bolso. Dois volumes.

Férias (1)

Pedro Mexia, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir e Football Manager.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Natal


Quando fechar a Livrododia, daqui a pouco mais que uma hora, o meu tempo será dividido entre amigos e família. Entre últimas visitas para desejos de boas festas, a compra do bolo-rei que está há uns dias encomendado, o jantar em casa da minha mãe, e o dia de amanhã, uma vez mais, em constantes visitas e festejos familiares, vou degustar os doces e a cozinha lá de casa, acompanhado com uns bons vinhos tintos.

Será também tempo de, finalmente, descansar, desligar, voar para fora dos problemas do trabalho. Não fosse por outra coisa (mas é), esta seria uma boa razão para viver a época com alegria. Mas a lareira acesa, os sorrisos, os afectos, a boa conversa, são todas excelentes razões para nos sentirmos bem connosco mesmos quando é Natal.

E assim alargo a todos aqueles que visitam este blogue, aos mais próximos e aos curiosos, aos amigos de sempre e aos que estão apenas de passagem, o desejo de Boas Festas cá de casa.


domingo, 23 de dezembro de 2007

Contribuições para um uso inteligente do aumento salarial


E tu,

onde vais investir esses 25 € por mês

para salvar a economia do teu país?

Caviar e Crise

Caro Eduardo,

Aquilo de que se fala, quando se fala de crise, é exactamente disso: do preço do caviar, do bolo rei de cinco estrelas, do lugar no restaurante, da viagem e do réveillon. A crise de que não se fala é a do frio do casaco que já tem 4 anos, do procurar pelo café que nos vende umas febras por 5 euros, do pedir uns cigarros ao colega, do ainda não ser dia de natal e já ter menos de 100 euros na conta bancária, pensando-se assim qual será o delicioso jantar que vamos ter para ver, em casa, os gato fedorento na rtp1, na última noite do ano.

A crise de que não se fala, é a crise dos que chegam sem dinheiro ao fim do mês, sem dinheiro e sem crédito, com a conta do telefone e da internet ainda por pagar.

Jacques Rodrigues e os 25 euros

O Sr. Jacques Rodrigues enviou, na sua mensagem de natal aos trabalhadores do Grupo Impala, do qual é Presidente, um aviso à navegação para o ano de 2008: este ano que passou foi um ano de crise, com quebras nas vendas, devido à “falta de profissionalismo de alguns colaboradores, em prejuízo dos demais e das empresas”, e o ano que aí vem arrisca-se a ser bem pior. Assim vai preparando terreno para mais despedimentos neste Grupo.

No entanto, não me apetece comentar o que se passa na Grupo Impala, mas sim o que se passa no mercado empresarial no geral. Este discurso do Sr. Jacques Rodrigues não é de todo estranho aos nossos ouvidos, já que é o discurso corrente de empresários e investidores. Ou seja, perante o cenário negro da economia nacional, culpa e carga nos trabalhadores. Para juntar ao regabofe, o aumento do salário mínimo vem trazer ainda mais pressão para aqueles que são os desprotegidos do sistema: os milhões de trabalhadores, especializados e não-especializados, que vivem sob o espectro dos baixos salários.

Ao acreditar nos números, só 5,5% dos trabalhadores recebem o salário mínimo (426 € a partir de Janeiro de 2008), mas a verdade é que essa aparentemente baixa percentagem de pessoas funciona como referência para grande parte do mercado de trabalho, levando a que uma grande quantidade de pessoas viva com salários entre os 426€ e os 600 €. Ora, apesar de sindicatos e trabalhadores acharem o aumento dos 25 euros do SMN razões para festejos, a mim é um alerta para a pobreza e para a miséria que vivemos neste país. Faça o exercício de viver um mês gastando 426€. Faça o exercício de viver um ano gastando 5964 €. Não precisa sequer de passar pelas necessidades. Faça-o numa folha de excel.

Perante o cenário do nosso país, onde juntamos à questão salarial a questão do emprego - sim, porque formamos pessoas sem garantias de postos de trabalhos onde essa formação sirva para alguma coisa - não deixa de ser uma profunda insensatez e brutalidade um empresário vir culpar funcionários a quem paga abaixo de cão, a quem exige tudo e não dá qualquer contrapartida, dos insucessos da economia. Não é ao funcionário que se deve exigir produtividade, é à empresa, ao conjunto de factores e sistemas implementados dentro da empresa que visam permitir o melhor aproveitamento dos recursos e crescimento de resultados. Enquanto se acreditar que se consegue isto à custa de baixos salários e de disseminação de culpas, meus amigos, não vamos longe.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Eu no lado de lá do Oceano

A Germina Literatura escolheu um conjunto de poemas do meu novo livro e publicou-os na sua última edição do ano. Estão lá, no Suplemento Literário desta excelente revista on line.

Como prenda extra, para além da belíssima imagem da página, tive direito ao abrasileiramento do meu nome, para Luís Felipe.

Sobre o preço dos livros II

E no dia seguinte, a Webboom repôs a verdade - aqui está o link outra vez.

Agora já o ano de edição e o preço de venda ao público estão correctos, até com um desconto menor do que estava ontem.

Fica apenas por perguntar 1) o que originou a anterior informação e respectivo preço, erro ou desejo de abater concorrência? 2) quantos livros foram vendidos com os 54% de desconto?

Sim, porque na Livrododia, praticando o preço real desde o início, não vendemos nem um.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Sobre o Preço dos Livros

Descobri há pouco um post no blogue Vida de Livreiro que me concedeu a oportunidade, com um caso prático, o crime que vem sendo praticado pelo site Webboom com a sua denominada Campanha de Natal. Já tinha percebido que essa Campanha comportava alguns atropelos à Lei do Preço Fixo, mas no exemplo que vos vou dar a seguir, mais do que à Lei do Preço Fixo, a Webboom incorre num crime de falsificação de informação para praticar preços inacreditáveis em livros que foram lançados há pouco tempo no mercado.

O livro que serve para exemplificar esse caso tem por título A Longa Viagem da Biblioteca dos Reis - Do Terremoto de Lisboa à Independência do Brasil, da autora Lilia Moritz Schwartz com Paulo Cesar de Azevedo e Angela Marques da Costa, numa edição da Assírio e Alvim. Como poderão constatar pela consulta do site, este livro foi lançado em 2007 e tem, como preço de capa do editor, 35 €.

Ora, o mesmo livro, no site da Webboom, tem como preço 23, 63€ e indica como ano de edição do livro, 2003. Ora, se essa informação fosse correcta, o desconto de 20% seria legal, propiciando ao cliente um preço de 18,9€. Mas como essa informação (data de edição e PVP) é falsa, a ilegalidade de vender um livro lançado em 2007 com 54% de desconto é clara!

Junto então o comparativo entre a ilegalidade da Webboom e um caso real (Livraria Livrododia). Não faço ideia a que preço a Webboom teve acesso a este livro, e para falar verdade, tendo em conta o preço a que vende, nem quero saber. É vergonhoso. A Livraria Livrododia, Lda, comprou, através do distribuidor oficial da Assírio e Alvim, a Sodilivros, exemplares deste livro a 24,50€ (um desconto de 30% sobre o PVP) e vende-os a 35€. Se decidirmos colocar este livro como Livro do dia, com um desconto de 20% (o máximo que se pode aplicar a uma novidade, em campanhas), o livro poderá ser adquirido por 28€. Na Webboom, é o que se vê.

O cliente fica a ganhar? Ocasionalmente. Em termos globais estes atropelos fazem com que o preço médio dos livros aumente todos os anos. Mais. Não vendendo nenhum exemplar deste livro, a tendência natural das livrarias é encomendar cada vez menos (e logo, disponibilizar cada vez menos ao público em geral) títulos que são usados pelos concorrentes para "queimar" a concorrência. E assim, quer a editora, quer o cliente final ficarão a perder. Uns por não venderem, outros por não conseguirem encontrar nas livrarias a diversidade que desejavam. Pela Internet, poderá comprar-se tudo, dizem alguns. É capaz de ser verdade. Mas se não soubermos que o livro existe, como o vamos poder encontrar?

Deixamos tudo ao acaso? Acho que é o que tem acontecido até aqui...

registos

Se não se pode mudar de livraria, pelo menos, mude-se de cidade.

Chuva / Escuro

Dizes-me que estás deitada, a ouvir a chuva e o vento a bater na tua janela. Eu sorrio. Pouso o telemóvel e retomo um livro. Aqui também há chuva, ameaças de tempestade, noite escura. Mergulho para dentro das palavras, onde me sinto melhor.

(...)

A meio da noite acordo e tudo parece escuro. Está bem assim, a noite prolongada, a cama quente. Adormeço de novo.

(...)

Torno a acordar, mais tarde. Ainda o escuro. Repete-se a cena. Mas o meu lado céptico leva-me a esperar um pouco mais, de olhos abertos. E então o escuro vai-se desfazendo lentamente até que percebo o dia a entrar pelo quarto, a reflectir-se nas paredes brancas. E então percebo. Todos os mistérios vêm sempre um pouco mais tarde que o despertar.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

A Selva é Redonda - Rui Costa

Os macacos comem bananas porque
era a fruta que tinham mais à mão.
Se tivessem mais à mão morangos, os
macacos comeriam na mesma bananas,
porque os morangos são muito difíceis de
descascar. As bananas são comidas por
macacos porque são os animais com mais
mãos que têm ali à mão. As bananas não
têm mãos mas têm casca, que é uma espécie
de mão à volta da banana. As bananas prefe-
riam ter mãos mas saiu-lhes antes casca.
Ser casca não deve ser fácil, passar a vida
a ser deitado fora. Os árbitros de futebol
têm duas mãos, uma para cada cartão.
Os macacos também arbitram as bananas,
comendo-as. Os macacos não mostram
os cartões às esposas. Preferem seduzi-las
usando da inteligência. Não sei como vim
parar à selva. Talvez tenha corrido demais
atrás da bola.

Rui Costa

E agora...

... Compras de Natal
Fotografia de Judah Benoliel, 1957

A Literatura na Galiza (Outubro- Dezembro 2007)

Á volta do verán o panorama de edición de poesía na Galiza semellaba completamente desolado. Cumpriu agardar até avanzado novembro para poder empezar a configurar un catálogo de novidades merecente de ser difundido.

Editorial Galaxia publica na súa colección Dombate dous novos títulos. Teatriños, de Erín Moure, libro finalista do Griffin Poetry Prize 2006, un dos premios máis importantes da poesía anglosaxona. Erin Moure, é poeta canadense de orixe galega. O libro, escrito en lingua inglesa, incluía na edición orixinal doce poemas en galego. Esta edición inclúe a versión galega do resto do texto pola man da escritora e tradutora María Reimóndez. Vigo, de Helena de Carlos, é o segunda das novidades que presenta Galaxia, e o cuarto na bibliografía da autora, fina poeta de formación clásica (doutora en Filoloxía Clásica e profesora titular do Departamento de Latín e Grego da Universidade de Santiago, especializada en estudos sobre a latinidade medieval), que se deixa translucir nas referencias cultas e no agudo sentido do ritmo e da estrutura dos seus poemas.

Sae do prelo da man da editorial 3C3 unha edición completa da poesía de Luís de Aguirre, autor romántico, contemporáneo e coterráneo de Rosalía de Castro. Aparece con prólogo do tamén poeta (e tamén coterráneo, aínda que moi actual) Anxo Angueira (falamos deste autor na crónica anterior) e edición de Avelino Abuín de Tembra.

O grupo poético vigués A porta verde vén de tirar o seu primeiro volume colectivo. Algúns dos autores deste título xa publicaran traballos individuais en papel (Elvira Ribeiro Tobío, Manolo Pipas ou Alberte Momán). Outros levan tempo amosando o seu quefacer en diversos portais da rede. O volume inclúe textos destes dous autores e mais doutros seis: Abilio Rodríguez, Alfonso Láuzara, Cruz Martínez, Rosa Martínez (Rosanegra), Alfonso Rodríguez (Minus-bálido) e Luís Viñas.

A editorial Xerais edita Hai cu, que vén asinado por "O Leo". O autor, coñecido como líder do grupo de rock O Leo e Arremecághona!, ven publicando dende hai anos os textos do libro e mais multitude doutros haikus no blog homónimo. Da mesma editorial ve luz O adeus do vello mariñeiro, de X.H. Rivadulla Corcón.

Con todo, a nova máis importante desta tempada no que se refire á poesía galega son dúas reaparicións. A primeira é unha "nova" colección de poesía. Leva por nome Edoy Leliadoura e é continuadora da histórica colección Leliadoura do mesmo selo editorial Sotelo Blanco que dá vida a esta remozada criatura. Como lanzamento da colección, publícanse seis títulos: Os poemas de como se rompe todo, de Daniel Salgado, Memoria de Ahab, de Rafa Villar, Derrotas con raíces, de Modesto Fraga, Onde o ollar comeza a doer, de X. Antón L. Dobao, e dous títulos de Marica Campo: Bingo e Sextinario, trinta e seis+tres. Dirixe a colección o crítico Xesús González Gómez, célebre polas súas descarnadas recensións de poesía publicadas hai algúns anos no semanario A Nosa Terra. A segunda é a volta de Edicións Positivas que aporta unha tradución de Allen Ginsberg feita polo poeta Daniel Salgado e un libro de Moncho Iglesias, Oda ás nais perennes con fillos caducos entre os brazos.

Estes días presentouse na Coruña a obra gañadora do premio de poesía Espiral Maior, fallo ao que nos referimos na anterior crónica. O libro premiado titúlase, Profundidade de campo e é obra da recoñecida poeta Yolanda Castaño.

Tamén fallouse o premio de poesía Xosemaría Pérez Parallé que premia unha obra de autor inédito. O libro galardoado foi Debaixo de Dziga Vertov hai unha buxaina, de Valentina Carro. O xurado outorgou tamén unha mención publicación ao libro Metal central de Alfredo Ferreiro.

Finalmente, deixar constancia aquí da presentación, no marco da feria de Frankfurt, dunha antoloxía bilingüe galego-alemán de 20 poetas galegos que inclúe textos de Rosalía de Castro, Manuel Antonio, María Mariño, Álvaro Cunqueiro, Xosé María Álvarez Blázquez, Luz Pozo, Manuel María, Uxío Novoneyra, Xosé Luís Méndez Ferrín, María Xosé Queizán, Xosé María Álvarez Cáccamo, Pilar Pallarés, Manuel Rivas, Xavier Queipo, Miguel Anxo Fernán Vello, Ana Romaní, Marga do Val, María Reimóndez, Yolanda Castaño e Mónica Góñez. Outra antoloxía, esta vez da man da crítica literaria Teresa Seara, presentouse na feira do libro de Guadalajara. Nesta ocasión, a escolma aparece baixo o selo da revista Reverso e inclúe textos de Luz Pozo Garza, Xohana Torres, Manuel Álvarez Torneiro, X.L. Méndez Ferrín, Xosé María Álvarez Cáccamo, Xulio L. Valcárcel, Xavier Seoane, Chus Pato, Pilar Pallarés, Miguel Anxo Fernán Vello, Eva Veiga, Olga Novo, Yolanda Castaño e Emma Pedreira Lombardía.

Eduardo Estevez

Prémio Livrododia 2007


Continua a votação para os prémios Livrododia 2007. Já participaste?
Se ainda não, podes nomear os teus candidatos aqui.

TV Catita

Um Mundo Catita, uma minissérie, de seis episódios, onde o vocalista dos Ena Pá 2000 interpreta o papel de si próprio e dá por si em situações inimagináveis - a matar a águia Vitória em pleno Estádio da Luz e ser depois perseguido pelos adeptos benfiquistas; a cantar no Natal dos Hospitais com um coro e depois discutir com um doente com leucemia ou adormecer no Teatro São Luiz e perder o grande concerto da sua banda. O slogan da série é "as coisas podem sempre ficar piores".

Apesar de se prever que esta série poderia mudar o mundo (ou vá lá, quase...), ainda nenhuma televisão o comprou para emitir.


domingo, 16 de dezembro de 2007

o top dos logs

O que poderá justificar que a Áustria seja o terceiro país que mais visita este blogue?

sábado, 15 de dezembro de 2007

a sintonizar


Portland TC 961- DP (a cores)
Fabricada em 1979

das revistas

2007 tem sido um ano difícil, um ano em que os ritmos se alteraram de uma forma imprevisível, levando-me a provar uma série de coisas novas. Com essas alterações não planeadas, um dos projectos a que me vinha entregando nos últimos dois anos sofreu um pequeno revés que vai ser agora recuperado. Falo da Revista Sítio.

Lembrar-se-ão os contactados, que há cerca de um ano pedi vários textos para o quarto número da publicação. Depois de tantos meses passados, os textos e as imagens estão finalmente escolhidos e preparados, estando já nas mãos do paginador da revista. Vários factores participaram para este doloroso caminho. A pressão das promessas feitas, a dos objectivos traçados, a necessidade de continuar um projecto que, para além do interesse cultural que detém, é ainda uma peça importante para o funcionamento da associação onde é editado, visto que é o único projecto da associação que merece o reconhecimento do Mecenato Cultural da parte do Ministério da Cultura.

Agora que os textos estão escolhidos e a revista verá a luz do dia para os fins de Janeiro, inicia-se já uma nova era. Passados quatro números de uma revista que tem sido, quase exclusivamente, dedicada à ficção literária e à poesia, outros caminhos de interesse se abrem, talvez como um regresso às origens do projecto (que quando nasceu era para ser um projecto de teoria literária), talvez como uma necessidade que os homens sempre têm de viver cada fase da sua vida de uma forma intensa e total. De alguma forma posso dizer que a ficção não me tem chegado.

Escrevo este texto, que poderia ser o prefácio ao quatro número mas não o é, tem uma natureza diferente, na semana em que comecei a delinear mentalmente o que será a Sítio 2008, o quinto número, quem as pessoas que as energias foram aproximando do projecto, quais os temas e os encontros que se vão agora iniciar. Há poucos minutos convidei o primeiro autor desse número, que de pronto aceitou o desafio. Por estas pequenas coisas, pelo brilho que se vê nascer nos olhos dos outros, um ânimo interior em nós, sei que vale a pena.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Presidencialismo Chic

Cristina Fernandéz Kirchner após a sua tomada de posse como Presidente da República da Argentina

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Prémios Livrododia 2007

A Livraria Livrododia promove os prémios Livrododia 2007, para que em conjunto com os seus clientes e amigos dê destaque ao que de melhor foi feito no mundo dos livros em 2007.

Assim, abrimos a concurso as seguintes categorias:
- Melhor Livro de Ficção
- Melhor Livro de Poesia
- Melhor Livro de Ilustração
- Melhor capa de Livro

Para participar, deverá enviar um email para livrododia@gmail.com, nomeando três livros para cada uma das categorias. Esta votação decorrerá até 31 de Dezembro.Feita a selecção dos cinco mais votados, esses livros voltarão a estar a votação até ao fim de Janeiro, para se escolher os vencedores de cada uma das categorias.
Os vencedores terão destaque no site e nas livrarias Livrododia, e poderão ser adquiridos com descontos.
Entre os participantes das votações, serão sorteados exemplares dos livros vencedores, prémio para o qual pediremos também a participação das editoras (quanto maior for a aceitação, mais livros poderemos oferecer, fica prometido)

Agora, é começar a votar!

(vindo daqui)

seis filmes na corrente

Desafiado pela Angela, aqui faço a minha (injusta) selecção de seis filmes:

Acima de tudo e todos, o grande, o insubstituível (com direito a cartaz na minha sala e tudo!), Disponível para Amar, de Wong Kar-Wai. Não tenho palavras para descrever este filme que já vi e revi imensas vezes, do qual passo muito e muito tempo a ouvir a banda sonora, e que tem em 2046 uma continuação à altura (embora eu resista a colocar este segundo na lista dos seis nomeados).

Em segundo lugar, Um Eléctrico chamado Desejo, de Elia Kazan. Vi pela primeira vez este filme, deveria ter uns 17 anos, numa aula de Expressão Dramática, no Liceu. Fiquei estranhamente perturbado com o filme, sobretudo com aquela personagem do tamanho do mundo na pele do Marlon Brando (que eu tenho gravado na memória, quase com o dobro do tamanho, no Apocalipse Now). Do mesmo realizador, mas aí culpa do Ruy Belo e da Natalie Wood, Esplendor na Relva fica à porta da nomeação (mas não entra).

Em terceiro lugar a homenagem a um dos meus realizadores de eleição, João César Monteiro. Escolho A Comédia de Deus porque foi o primeiro filme dele que vi, nos Cinemas King, depois de uma épica viagem de táxi com o meu irmão e a minha prima, jovens adolescentes que foram arrastados por mim para aquela sessão de cinema que acabou com o João César Monteiro em carne e osso a tirar-nos as medidas no café do King (e com certeza a pensar que a juventude estava perdida...). Não esquecer que Recordações da Casa Amarela (que eu vi mil vezes) e vários outros filmes do João César são refeição habitual para mim.

Em quarto lugar, e já que falamos de cinema português, O Rei das Berlengas, de Artur Semedo. Caso alguém saiba se este filme já foi lançado em DVD, avise-me (e se puder, envie-me pelo correio que eu compensá-lo-ei devidamente). É um filme excelente que eu nunca mais pude ver porque deixei de ter VHS e, logo a seguir, perdi uma série de cassetes que ficaram em casa da minha mãe. Mas sim, arrisco, é do melhor que o cinema português poderá alguma vez fazer, porque é um filme português em todos os sentidos e milésimos de segundo de fita.

Em quinto lugar, World Park, de outro realizador de quem eu não perco um filme, o Zhang Ke Jia. Escolho este filme porque conjuga a esperança, o desencanto, o capitalismo, o mercado, a miséria, o comunismo, tudo e mais alguma coisa num filme só. Acho que raramente se encontram filmes assim, mas com este realizador, está-se sempre num mundo em que tudo acontece ao mesmo tempo. Como no mundo a sério, talvez.

O último da lista dos seis é uma comédia, O Inimigo Público Nº 1, de Woody Allen. Toda a lógica do falhado aparece neste que é um dos primeiros filmes de Woody. Acho que, injustamente, é poucas vezes lembrado no meio da vasta produção do autor. Mas do Woody Allen eu poderia escolher quase uns dez filmes para esta lista, portanto não levo isso muito a peito.

Acabo a lista e acho incrível não ter tido espaço para nenhum realizador francês, para o Quentin Tarantino, para o Vincent Gallo, para o Mike Leigh... Mas pediram-me seis e eu, a custo, escolhi-os.

Passo o desafio para a Justa, para a Inês, para o Fernando, para o Diogo e para a Valex.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Sulscrito em Lisboa

Na livraria Lerdevagar, na Fábrica Braço de Prata, dia 8 de Dezembro às 21:30.
Rua da Fábrica do Material de Guerra, nº1(em frente aos Correios do Poço do Bispo).

O Sulscrito - Círculo Literário do Algarve tem o prazer de vos convidar para uma sessão de apresentação de vários projectos culturais.

Apresentação de projectos de:

Sulscrito – Círculo Literário do Algarve
Palavra Ibérica
Aliança Cultural - Faro

Programa:

- Apresentação da revista de literatura Sulscrito, com a presença de algunsautores/colaboradores.

- Apresentação da colecção de poesia Palavra Ibérica.

- Apresentação da 3ª edição do encontro de autores Hispano-Lusos Palavra ibérica (Punta Umbría-Huelva, 2008).

- Apresentação do projecto cultural ALIANÇA CULTURAL – Faro. (Literatura, Artes Plásticas, Património, Música).

- Apresentação de um jovem poeta de Faro, recentemente publicado.

Sulscrito:
Fernando Esteves Pinto
João Bentes
Pedro Afonso
Tiago Nené

Editor:
Luís Filipe Cristóvão (Livrododia Editora)

Aliança Cultural
:
José Bívar
Adão Contreiras
Rui Dias Simão

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Lição de Gestão, Fama e Fortuna

"Mas não é muito escrupuloso com a palavra, o que lhe permite tomar decisões com rapidez."

Jorge Martins sobre Paulo Branco, no Jornal Público de hoje.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A Morte de Portugal - Miguel Real


Diálogo cruzado com Arte de Ser Português (1915), de Teixeirade Pascoais, Educação de Portugal (1970), de Agostinho da Silva,Labirinto da Saudade (1978), de Eduardo Lourenço, Repensar Portugal(1980), de padre Manuel Antunes, Pela Mão de Alice (1994),de Boaventura de Sousa Santos, Portugal Hoje. O Medo de Existir(2004), de José Gil, e Portugal. Identidade e Diferença (2007), de Guilherme d’Oliveira Martins, A Morte de Portugal, ensaiozinho
despretensioso e reflexivo de horas nocturnas, voluntariamente desguarnecido de citações eruditas, escrito no rescaldo dos congressos relativos aos 20 anos da morte de Padre Manuel Antunese aos 100 anos do nascimento de Agostinho da Silva e nos preparativosde um ensaio sobre Padre António Vieira, intenta demonstrar que a constelação cultural e civilizacional por que emergiu a realidade histórica designada por “Portugal”, enquadrada em quatro complexos culturais abaixo enunciados, atingiu o seu limite de esgotamento – menos por efeito de um decadentismo político (temos vivido em permanente decadência desde D. JoãoIII) e mais por causa de um fenómeno de aceleradíssima descristianização e desumanização ética da sociedade e de uma rapidíssima submersão social numa tecnocracia científica anónima que nivela as nações, metamorfoseando-as em regiões singulares de uma futura supranacionalidade europeia, comandada por títeres janotas que transfiguram a nobre arte da política numa cinzenta cadeia técnica de raciocínios causais – e está a chegar ao fim.

Assim, na linha de Eduardo Lourenço, este ensaiozinho diligencia desenhar os quatro complexos culturais por que Portugal se foi concebendo a si próprio ao longo de 800 anos de História:ora, segundo a tradição literária Renascentista, um país gerado exemplarmente no mais remoto dos tempos e contra as mais difíceis circunstâncias (Viriato); ora um país que, nos e após os Descobrimentos, se vê a si próprio como nação superior às demais, sintetizada na majestática arquitectónica do Quinto Império do padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho daSilva e na patética [tocante, mas idolátrica] pretensão de Fátima a “altar do mundo”; ora um país que, fracassado o sonho grandiloquente do Império, se lastima e se penitencia, considerando-se nação inferior, passível de máxima humilhação (Marquês dePombal); ora, finalmente, país mesquinho, venenoso e bárbaro,permanentemente ansioso de purificação ortodoxa (Tribunal do Santo Ofício; Index inquisitorial; Intendência pombalina;Real Mesa Censória; guerra civil entre liberais e absolutistas;carbonários e republicanos jacobinos perseguindo e chacinando instituições eclesiásticas; polícia política e tribunais plenários do Estado Novo, santificados pela Igreja Católica, perseguindo,prendendo e exilando a totalidade da oposição, levando a cabo uma guerra de 13 anos nas colónias), no qual cada corrente política e intelectual tem sobrevivido da canibalização das correntes adversárias, negando-as e humilhando-as.

1. ORIGEM EXEMPLAR: a figuração da origem exemplar de Portugal emerge na segunda metade do século XVI através da imagem de Viriato, herói impoluto, puro, virtuoso, soldado modelo,chefe guerreiro íntegro, homem simples, pastor humilde que se revolta contra a prepotência do ocupante estrangeiro,conduzindo os lusitanos a vitórias sucessivas – povo singelo e singular que, não obstante a sua fragilidade militar, é vencedor das legiões do império romano. Tão excelsa é a auréola de Viriato e tão recta e luminosa a sua conduta que só pela traição é derrotado. Concebida por Sá de Miranda e Camões, prolongada heroicamente por frei Bernardo de Brito e Brás Garcia Mascarenhas,a figura de Viriato sobressai no justo momento histórico do fim de 400 anos de ascensão vitoriosa de Portugal como povo exemplarmente católico, desde o conde D. Henrique a D.Manuel I, vencedor e expulsador de infiéis do território de Santa Maria, descobridor de mundos e reconvertor de pagãos. Deste modelo viriatino guarda cada português a imagem imaculada do português de antanho, patriarca da nação e exemplo ético de conduta, enraizado no terrunho natal, afeito à tradição, perfeito na humildade e na modéstia, tão sóbrio e decente quanto decoroso e conveniente – é o complexo viriatino, que nos guiou em Ourique e em Aljubarrota, que orientou a conduta histórica de Egas Moniz, Nuno Álvares Pereira, Afonso de Albuquerque e D. João de Castro e moveu fundo a política nacional de Oliveira Salazar; e quando, dúplice, a pátria abandonou à sua sorte os mazombos pernambucanos do século XVII, João FernandesVieira, madeirense desventurado, filho abandonado de um fidalgo e de uma rameira preta do cais do Funchal, fez despertar o seu complexo de Viriato e, com catanas, zagaias e arcos, inicioua guerra de guerrilha que, anos mais tarde, haveria de expulsar os holandeses do Brasil;

2. NAÇÃO SUPERIOR: da decadência do Império a partir deD. João III, do fracasso de Alcácer Quibir e da perda da independência nasce o assombro de nos sentirmos insignificantes depois de nos termos sabidos gigantes na descoberta da totalidade do mundo. Padre António Vieira, resgatando o providencialismo de Ourique e o milenarismo judaico de Bandarra,deu voz majestática a este cruzado sentimento de grandeza e pequenez, recusando testemunhar a nossa real insignificância europeia, dourando-nos o futuro com o regresso anunciado às glórias do passado, agora sob o divino nome de Quinto Império.Pela arte da palavra de padre António Vieira, Portugal, país de valor exíguo no século XVII, valendo apenas pelo legado dos territórios do Império, permanece desde então sebastianisticamente em permanente estado inquieto de vigília, aguardando o “despertar”, a “Hora!” pessoana, porque de novo cruzará os mares – agora do espírito e da cultura, falhados que foram os reais, tornando-se de novo grande – é o complexo vieirino, que nos determina a desejarmos mais do que nos pedem as forças e nos exigem as circunstâncias, pulsão social que orientou as caravelas portuguesas;

3. NAÇÃO INFERIOR: no final do século XVIII, após 250 anos de domínio exclusivo da Igreja Católica na formação da mentalidade colectiva portuguesa, arrefecido o afluxo de ouro e pedras preciosas do Brasil ao erário régio, Portugal reconheceu a sua pobreza intrínseca – o comércio urbano e as exportações nas mãos dos ingleses, o pão confeccionado com farinha branca inglesa, o carvão importado da Inglaterra, os trajes tecidos de seda de Lyon e de fazenda dos teares de Manchester, a louça provinda de Itália, as berlindas armadas em Paris, escolas públicas inexistentes, estradas reais inexistentes, hospitais públicos reduzidos ao de Hospital de Todos-os-Santos de Lisboa, quese incendiara em 1750. Magro, macérrimo era Portugal; gordo,gordérrimo o Estado de D. João V; magro, macérrimo era Portugal; gorda, gordérrima a Igreja de Portugal. Pela Europa culta ostentavam-se os espectáculos públicos nacionais como exemplo de barbárie e superstição: autos-de-fé, procissões penitenciais e touradas. O Marquês de Pombal reagiu a esta situação catastrófica, revolucionando o todo de Portugal – tesouro régio,educação, economia, urbanismo, política regalista –, assente na profunda convicção de que a Portugal, país em permanente estado de inferioridade civilizacional, nada lhe faltava para ser igual aos restantes caso se alterasse drasticamente o perfil das elites,insuflando-lhes um banho de Europa. Desde a revolução liberal de 1820, todos os ímpetos modernistas portugueses têm nascido deste complexo cultural que eleva a Europa a destino e sentido de Portugal – o complexo pombalino, hoje acefalamente política dominante do Estado português, que, como “bom aluno”,se põe na fila das estatísticas, subordinando a sua imensa valia cultural à mera e exclusiva valia dos indicadores económicos,gerando um notório sentimento de mal-estar e de inferioridade entre as actuais elites portuguesas, envergonhadas do povo rústico, bruto e arcaico que comandam, esquecendo-se de que o mesmo povo, em outros países da Europa central, governado por outras elites, atinge indicadores económicos valorosos e comportamentos educacionais distintos;

4. CANABALISMO CULTURAL: em função dos três complexos referidos,idiossincraticamente portugueses, se quiséssemos definir o tempo moderno e contemporâneo da cultura portuguesa entre 1580 – data da perda da independência – e 1980 – data do acordo de pré-adesão à Comunidade Económica Europeia –, passando simbolicamente pelo ano de 1890 – data do Ultimatum britânico a Portugal –, atravessando 400 anos de história pátria, defini-lo-íamos como o tempo do canibalismo, o tempo da culturofagia,o tempo em que os portugueses se foram pesadamente devorando uns aos outros, cada nova doutrina emergente destruindo e esmagando a(s) anterior(es), estatuídas estas como inimigas de vida e de morte, alvos a abater, e as suas obras como negras peçonhas a fazer desaparecer. Católicos ou erasmitas, papistas ou hereges protestantes, jesuítas ou iluministas, religiosos ou maçónicos,carbonários-jacobinos ou eclesiásticos, tradicionalistas ou modernistas, espiritualistas ou racionalistas, cada corrente só se entendia como una e independente quando via o seu reflexo“puro” nos olhos aterrorizados do adversário, quando o desapossava de bens, lhe subtraía o recurso para a sobrevivência e, em última instância, quando o prendia ou matava, por vezes mesmo “matando-o” depois de este estar morto, como sucedeu com os restos mortais de Garcia da Horta, em Goa, exumados e queimados. Porém, se umas correntes “matavam” o morto, privilégio dos dominicanos da Santa Inquisição, orgulhosamente autocognominados de os “cães do Senhor”, outras – animadas do mesmo ódio teológico e racionalista – “ressuscitavam-no”,como aconteceu com os maçónicos e republicanos face ao legado pombalino, fundado numa das mais impressionantes mitologias culturais alguma vez inventadas em Portugal (cf. obra de José Eduardo Franco, nomeadamente O Mito dos Jesuítas em Portugal, no Brasil e no Oriente (Séculos XVI a XX), 2007) erguendo a maior e mais importante estátua do Marquês de Pombal em pleno centro de Lisboa. Assassínios individuais e colectivos (perseguição dos judeus pela Inquisição; perseguição dos hereges pela Igreja; perseguição da alta nobreza, dos jesuítas, do “herético” Cavaleiro de Oliveira e de pensadores e poetas pré-românticos pelo Marquês de Pombal; perseguição de sacerdotes pelos jacobinos positivistas e republicanos; perseguição de comunistas e socialistas pela Igreja Católica e pelo Estado Novo no século XX; actual perseguição a funcionários públicos rebeldes pelos poderes partidários instituídos pelo governo de José Sócrates/Cavaco Silva), prisões individuais e colectivas – todos os protagonistas da história da cultura portuguesa, com raríssimas excepções, entre as data sindicadas (1580-1980), têm as mãos sujas e não poucos morreram em desespero às suas próprias mãos, ora abandonando desalentados a cortesia do Poder (de Sá de Miranda, recolhido solitário a Terras do Basto, a Alexandre Herculano, Domingos Tarroso,José Régio e Miguel Torga), ora exilando-se (desde Francisco Sanches, António Nunes Ribeiro Sanches e Luís António Verney a praticamente todos os grandes vultos da cultura portuguesa do século XX, de Aurélio Quintanilha a Adolfo Casais Monteiro, de Agostinho da Silva a Barradas de Carvalho e Fernando Gil, dos irmãos Cortesão a Eduardo Lourenço, Oliveira Marques, Vitorino Magalhães Godinho, Jorge de Sena e José-Augusto França; a imensa maioria dos pintores portugueses do século XX), ora suicidando-se (Antero de Quental, Camilo Castelo Branco e Manuel Laranjeira). Animados por um “pensamento pobre” (Pedro Roseta),não temos feito história da cultura com o pensamento, mas com o sangue, sustentando-nos antropofagicamente do corpo do adversário – complexo canibalista –, que alimenta o desejo de cada pai de família portuguesa de se tornar súbdito do chefe ou do patrão, “familiar” do Tribunal da Inquisição, sicofanta da Intendência-Geral de Pina Manique, “informador” de qualquer uma das várias polícias políticas, carreirista do Estado, devoto acrítico da Igreja, histrião da claque de um clube de futebol,bisbilhoteiro do interior da casa dos vizinhos, denunciador ao superior hierárquico.


Título: A Morte de Portugal
Autor: Miguel Real
Editor: Campo das Letras