sexta-feira, 2 de novembro de 2007

sete horas

voltava a casa era de noite, diariamente, assim fazia. os tons da rua eram outros, outros os cheiros e os sons, as caras com que se cruzada. de noite, voltava a casa. onde antes havia a luz a entrar pelas janelas, agora apenas o escuro, não aquele que se guarda entre os livros espalhados sobre a mesa da sala, mas o escuro que envolve todas as coisas. como dizer, a noite, como dizer este frio que nos rompe mesmo os casacos e se agarra à nossa pele. sim, essa noite, esse frio. não era uma sensação muito poética. apenas a notícia de que chegado o outono as pessoas vão para casa mais cedo, ou se mantém a mesma hora, vão para casa mais caladas, nesse silêncio que não se encontra só nas palavras, mas o silêncio da casa, dessa mesma casa escura, onde ela voltava, agora, de noite.

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