sexta-feira, 2 de novembro de 2007

para um primeiro capítulo ou para um primeiro poema

talvez seja chegada a hora de vos contar como começam as ideias dentro das cabeças dos poetas que escrevem poemas. humm. murmuro baixinho testemunhos falsos sobre muitas e variadas coisas. páro espantado a olhar a porta de uma igreja. arrumo todas as fotografias e classifico-as segundo uma ordem que desconheço. compro um pack de cervejas mini. tapo o nariz se alguém fuma ao meu lado na rua. rompo o pacote dos rolos de papel higiénico que comprei no hipermercado. fujo de mim a toda a hora. fujo de ti a todas as horas. abro o jornal desportivo na página certa, para conferir o horário da transmissão. conto as moedas com os dedos das duas mãos. conto-vos como começam as ideias dentro das cabeças dos poetas que escrevem poemas.

2 comentários:

  1. Paranormalmente
    Começa-se por uma turbulenta auto-estrada de sonhos
    Com via verde
    (Sim, hoje em dia, assim)
    Range-se o dente
    fatia-se o ovo (cru) e joga-se à roleta russa
    com a dor de todas as palavras vazias
    Depois acorda-se com uma fome sedenta de mundo
    E busca-se a eternidade do sorriso sofrido
    Na seiva da parra virgem

    MLD

    Toma lá mais um inédito, aliás, "como todos os outros".

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