terça-feira, 6 de novembro de 2007

confuso, à noite

a minha estrada é um carro que sobe depois da planície, em busca de encontrar de novo o plano de poder ver tudo sem obstáculos. a minha estrada. tenho evitado repetir-me - e talvez não esteja a ser assim tão evidente, mas, tenho evitado. no entanto, o relógio é mais forte que a minha mente. e a resposta tem sido, sempre, dia a dia, o renovar da capacidade de engolir, em silêncio, o resto de comida que me é colocada no prato. malavita esta, hein? o relógio a aproximar os seus ponteiros da frente do meu carro, estrada esta a subir, talvez só a um andar mais alto, antes que o elevador se avarie, na hora em que não houver mais ninguém no prédio e o telemóvel estiver sem bateria.

não, não sou pessimista - aliás, atendo a tudo isto com um sorriso leve e os cabelos suficientemente despenteados para parecer que o vento me acaricia a face. este ano o outono ainda não trouxe nuvens, nem suficiente frio para sacar o cachecol da gaveta do armário. este ano nem sequer a literatura parece trazer grande conforto. desde que arranjei este emprego mais exigente que voltei a gostar do natal. anseio há mais de um mês a noite de consoada, o sossego de não ter restado nada mais a fazer no escritório. e se até lá escrevo aqui, é só para fingir, só para não se perceber, que não há nada mais o que dizer.

Sem comentários:

Enviar um comentário