quarta-feira, 31 de outubro de 2007

um Mayol apaixonado

Por estes dias, tenho-me deitado na companhia de Mayol, personagem principal d' A Viagem Vertical de Enrique Vila-Matas. Mayol percorre, nos capítulos iniciais, a sua vida em Barcelona, o café onde se angustia com a falta de interesse dos seus companheiros, a sua mulher que o quer fora de casa, os seus filhos que em nada o podem ajudar, aliás, com as suas opiniões mais o deprimem (ou oprimem), nesta altura da sua vida. Um dos seus filhos, o mais jovem, Julián, é um artista medíocre, em espera por uma inspiração que não virá, tentando buscar nos sonhos algo que ele não consegue perseguir na vida. Julián imagina que a sua obra-prima sairá de um dos seus sonhos e vinga-se na falta de instrução do pai para se escapar às suas parcas capacidades. Num dos seus passeios, logo no início do livro, Mayol guarda como trunfo a sua capacidade de se apaixonar por uma mulher que passa por ele na rua, para uma futura oportunidade em que o filho o tente rebaixar. Será essa, a atenção e a paixão, a arma com que vai ferir o intelectual seu descendente. E de facto, jogadas como esta, tão difíceis de descobrir, são, quase sempre, muito mais do que certeiras.

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