sexta-feira, 26 de outubro de 2007
rua manhã
Oiço os meus pés a caminhar pela calçada, fazem um som seco, um tanto oco. Sinto, pela observação da sombra, os meus pés a deslizar para fora do que seria o seu espaço natural, já que caminho em frente. Oiço os meus pés pela calçada (e aqui retiro o infinitivo, por me parecer demasiado óbvio aquilo que os meus pés fazem). É de manhã e o sol bate-me nas costas, aquencendo-me ligeiramente neste verão de outono. Algumas crianças correm dentro dos limites da escola, os carros estacionam em segunda fila e um homem salta de um camião de transportes que parece um tanto deslocado aqui dentro da cidade. É de manhã e eu desço pela rua, a olhar a minha sombra, a tentar reter (dentro dos seus limites naturais) o meu pensamento. Mesmo que isso soe difícil. Mesmo que isso seja apenas a minha forma de deixar os pensamentos fluir para fora das suas margens.
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