quarta-feira, 24 de outubro de 2007

esta noite o frio no quarto

Esta noite o frio no quarto, a comichão na perna,
ignorar a insónia que se aproxima calmamente,
o corpo perdido pelos labirintos, o meu corpo,
ser capaz de murmurar meu pai e soltar o choro.

Esta noite o frio no quarto, a mesa desarrumada,
a televisão ligada no mesmo programa ignorante
e a rádio que vai ficando sem pilhas a desligar-se,
sem saber as horas, sem fechar os olhos.

Esta noite o frio no quarto, o delírio dos meus dentes
a inventar palavras rangidas insensatas,
o mesmo destinatário para toda a correspondência,
o mesmo rebolar sem sentido entre almofadas.

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