segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Festa do Avante


É completamente diferente uma Festa do Avante onde se vai para trabalhar e uma festa onde se vai só para usufruir. Chamem-me workaholic mas trabalhar na Festa é das experiências mais fantásticas que pode haver, especialmente se for durante bastante tempo, como me aconteceu um ano, em que tive a oportunidade de trabalhar na festa desde o início do verão, onde toda a quinta é apenas um imenso relvado verde, até ao último dia da festa, onde se começam a desmontar algumas das bancas. Nesse período, a festa é vivida com a maior das intensidades.

Depois de ter saído do PCP, em 2001, voltei duas vezes à Festa. Em 2005, por uma variedade de concertos e peças de teatro que me interessavam muito ver, e este ano, porque me apetecia viver o espírito e porque havia um concerto que eu não perderia por nada deste mundo. Esse concerto era o dos romenos Fanfare Ciorcalia, que se apresentaram com vários convidados de Espanha, Bulgária e Macedónia. Foi um concerto fantástico, com todos os ingredientes expectáveis, uma festa dentro da festa. Pelo concerto valeu imenso a pena. Foi provavelmente dos melhores concertos a que assisti na vida. De resto, assisti a poucos concertos e todos eles pouco entusiasmantes (não estive na festa sexta-feira, onde a Cantata de Outubro parece ter sido do melhor também).

O resto do tempo ocupei-me a passear pela Festa e saboreei o outro lado, o lado da Bienal, da Exposição sobre a Revolução de 1917 no Espaço Central, a variedade de cheiros, sabores, cores e músicas do Espaço Internacional, todos os atractivos da Festa nas representações das várias Organizações Regionais. Este ano voltou-se a sentir alguma paz na festa, já passou tempo suficiente para que as animosidades da guerrilha renovadores /ortodoxos estejam agora retraídas. No fundo, as pessoas aceitam-se, tal como elas são. O que eu vi este ano na Festa é que estamos todos um pouco mais velhos, mais maduros, mais conscientes do nosso lugar do mundo. Podemos não partilhar já os mesmos sonhos, certamente não estamos de acordo quanto aos caminhos a seguir, mas temos as referências e a história passada que nos liga. Acho que na Festa, este ano, percebi, pacificamente, que a vida é mesmo assim. E a Festa continuará sempre de todos.

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