sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Bombas e Cabeças de Vácuo - II

Ouviu-se da boca de muita gente, por estes dias, a frase " quem nunca errou que atire a primeira pedra". Mas o facto é que, de um treinador se espera que os erros sejam tácticos, técnicos, a nível da escolha dos jogadores para o onze ou da convocatória. De um líder de uma representação nacional espera-se que os erros sejam gaffes em conferências de imprensa, chegar atrasado a encontros decisivos, renunciar a cumprimentar outros líderes em situações de pressão.

Nem de um, nem de outro se espera que o erro seja esmurrar ou tentar esmurrar outra pessoa seja porque motivo for. Ao contrário do que o Sr.Scolari tentou fazer passar, defender um jogador dentro de campo não se faz socando um outro, mas sim tentando segurá-lo, que foi o que tiveram que fazer vários elementos do banco português depois do momento irreflectido de Scolari.

Para agravar toda esta situação, o Sr. Scolari negou tudo na entrevista rápida da RTP e voltou a negar na Conferência de Imprensa realizada no Estádio de Alvalade. Passadas menos de 24 horas, este mesmo senhor, embuído do "espírito cristão" e depois de um ralhete da sua esposa, organiza nova Conferência de Imprensa onde dá o dito por não dito, tentando justificar o que toda a gente tinha visto e ele tinha negado na noite anterior. Não satisfeito (e aqui as culpas repartem-se), tem direito a Grande Entrevista com Judite de Sousa onde, com olhar choroso, repete as balelas que nos tentou pregar desde o momento em que agrediu o sérvio Dragutinovic.

Toda esta retórica após o erro, muito típica da federação portuguesa que, nos últimos anos, teve que andar a justificar a destruição de um balneário em França pelos sub-21, a histeria do Euro 2000, o soco do João Vieira Pinto, o baile de Zequinha com um cartão vermelho na mão, é balofa e foge do essencial. Se bem se lembram, de todos os intervenientes nestes casos, sempre existiu um discurso para os protegidos e outro para os fragilizados. Ronaldos e Companhia dos Sub-21, Nuno Gomes e, pressente-se agora, Scolari, são os criminosos bons. Abel Xavier, João V.Pinto e Zequinha, os criminosos maus. Há alguém que me explique isto?

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