terça-feira, 11 de setembro de 2007

Bertrand, Editoras, Livrarias, Descontos e Preços Fixos

Bertrand em risco de perder grandes editoras é o título de uma notícia dada à estampa, hoje, no Diário de Notícias. Como é do conhecimento generalizado no meio editorial e livreiro, a imposição pela Bertrand de novas regras no que toca aos custos recorrentes do envio e devolução dos livros causou um pequeno tremor de terra. Ao mesmo tempo, as margens de desconto cada vez maiores que a cadeia vai tentando impôr aos editores (a reboque dos hipermercados e da Fnac), vão criando um problema para o qual grande parte dos editores estavam avisados mas no qual foram preferindo não acreditar. Quando se tem um mercado centralizado em três grandes clientes, e sendo o mercado editorial português muito pouco diferenciado (visto que havendo uma grande incidência de compra de livros para oferta, as vertentes preço e disponibilidade de produto em exposição contam mais do que seria expectável), esse grandes clientes podem impôr as regras. E por impôr as regras entenda-se ter o poder para deixar de vender qualquer editora que bem lhes apeteça, se essa editora não aceitar as "novas" regras da casa (que pelo que é normal no mercado livreiro português, são sempre passíveis de mudança).

A resposta das editoras, na notícia do DN, surge em forma de ameaça de aumento do preço dos livros, o que, na prática, mais beneficiará a Bertrand visto que aumentando o preço do livro aumenta também o valor dos seus lucros. As editoras estão num beco sem saída. São cinquenta lojas em centros comerciais e em ruas de bastante movimento nos centros das principais cidades do país. Curiosamente, foram as próprias editoras que fizeram a cama onde agora se aprestam a serem deitadas à força. Como também é possível ler na notícia em causa, a Cotovia pratica um desconto de 42%, ou seja, mais 12% do que pratica com as livrarias independentes. Não será justo que a ameaça de aumento do preço dos livros tenha reflexo, apenas, nessas cadeias onde as editoras praticam maiores descontos? Sim, este, para mim, é o mais forte argumento à anulação da Lei do Preço Fixo que tem vindo apenas a beneficiar as grandes cadeias, em detrimento dos clientes e das livrarias independentes. Seria como que uma terapia de choque ao mercado, mas uma terapia mais que necessária neste momento de evolução. E então, optamos pelo conservadorismo ou arriscamos esta inovação?

1 comentário:

  1. É um problema nacional diagnosticado: a maníaco-fobia.Fobia a mudanças sensatas, mania de mudanças sensacionalistas.

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