segunda-feira, 27 de agosto de 2007

A malta da escola

Um relatório do Alto Conselho para a Educação Francês que será hoje entregue ao Presidente Nicolas Sarkozy nota que o ensino básico não resolve o problema maior que lhe é colocado: se com os bons alunos, se continuam a fazer óptimos resultados, com os "maus alunos", cerca de 300 000 crianças, na sua generalidade vindas de meios desfavorecidos, a escola não cria alternativas nem apresenta resultados.

Não deixa de ser curioso olhar para o Ensino em Portugal em comparação com estes dados. É prática conhecida a criação de "boas" e "más" turmas, que criam ambientes propícios aos supostos bons alunos e que colocam no mesmo saco crianças com dificuldades de aprendizagem, alunos que no ano anterior passaram à rasca, miúdos com todo o tipo de problemas. A partir daí, fica difícil pedir a um professor que faça milagres, aliás, bem sabemos que a grande maioria da classe de educadores não é muito dada a espíritos de sacrifício.

Lembro-me que na minha turma de 12º ano havia desde mentes brilhantes a alunos que mal sabiam escrever uma frase. Isso nunca foi motivo de atraso dos melhores, permitiu aos que tinham mais dificuldades beneficiar do apoio de colegas que estavam melhor preparados. A guetificação do ensino cria uma classe de desprotegidos, que prolongam as suas carências fora da escola para dentro do universo escolar. Quando se fecha os olhos a isto, não se está a fazer nada pelo futuro de um país.

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