sexta-feira, 6 de julho de 2007

o que farei eu com este mercado?

Segue com todo o interesse, e atenção da parte da grande maioria dos agentes do mercado editorial português, o processo de entrada do investidor Miguel Paes do Amaral. Em resposta a um entusiasmo inicial com a mexida do mercado, passamos, com as notícias vindas a público hoje, a encarar o respectivo negócio com um olhar mais crítico.

Segundo o que se sabe, Asa e Caminho já terão assinado os respectivos contratos-promessa. Apesar do sector editorial não ter um grande passado sindical (outras vagas de despedimento, nos últimos anos, foram sempre tratadas com um profundo silêncio), as circunstâncias da Editorial Caminho são diferentes, e por isso mesmo não será estranho encontrar as notícias de futuros despedimentos recebendo algum destaque mediático.

Isto leva-me também a pensar que uma entrada de um investidor como Miguel Paes Amaral no mercado editorial pode não trazer grandes ganhos, nem imediatos nem futuros (apesar de podermos considerar que qualquer mexida em águas estagnadas traz sempre qualquer coisa de novo). Paes do Amaral não vai acrescentar nem experiência nem conhecimentos ao mercado editorial - quanto muito pode trazer gestão, mas isso, felizmente, já se ia vendo por aí. E se alguns dos grupos comprados pelo investidor poderiam estar a precisar de gestão, uma marca como a Caminho, que ao longo de 30 anos foi construíndo um dos catálogos mais sólidos do mercado, juntando a isso uma gestão solidária e um espírito de missão bastante apurado, não deveria (nem poderia) ser entregue ao seu fim de um momento para o outro.

Não se trata aqui de fazer nenhuma defesa radical da Caminho como ela é, trata-se, sobretudo, de chamar a atenção para um conjunto de factores que fazem uma editora. E não bastará nunca um bom editor, nem um bom gestor, nem um bom vendedor - é o conjunto desses elementos que fazia a Caminho funcionar e que, noutras mãos, perante outra realidade, talvez não venha a ser igual.

O mais provável é só podermos ver o resultado desta movimentação de mercado dentro de seis meses ou um ano. Mas até lá será necessário, e aconselhável, que os vários agentes e associações do mercado do livro português, possam discutir abertamente, aquilo que querem e aquilo que poderão ter no futuro.

1 comentário:

  1. Parece-me preocupante a venda da Caminho a Miguel Paes do Amaral... Se ele fizer o que fez com a TVI vai-se deixar de ler Saramago e começar-se a ler Margarida Rebelo Pinto na Caminho....

    ResponderEliminar