terça-feira, 31 de julho de 2007

Pequeña Antología para el Cuerpo


Já está à venda o meu primeiro livro em castelhano, um conjunto de 22 poemas intitulado Pequeña antología para el cuerpo, uma edição do Ayuntamento de Punta Umbria no âmbito da colecção Palavra Ibérica, onde já foram publicados livros dos autores Luís Ene e José Carlos Barros.
Os poemas presentes neste livro representam um todo, cuja temática principal é a infância, os momentos de crescimento de um rapaz entre a sua família. No livro encontramos alguns poemas (com alterações) do meu primeiro livro e também alguns textos que antecipam o meu próximo livro. No entanto, a maioria dos textos é inédita e não fará parte do meu segundo livro de originais publicado em Portugal.
Os poemas deste livro surgem em Português e Castelhano, tendo a excelente tradução sido realizada por Manuel Moya e revista por António Alías. A capa é uma adaptação de uma fotografia de Vanessa Fernandes à escultura Corpete de autoria da artista Leonor Brilha. A todos eles agradeço a disponibilidade demonstrada para participarem neste projecto. Tenho ainda a agradecer ao Uberto Stabile, ao Fernando Esteves Pinto e à associação Sulscrito a oportunidade que me deram de me aventurar pela primeira vez fora do meu país.
O livro está . À mão de quem o quiser encontrar.

poemas


The Passenger, Michelangelo Antonioni, 1975

poemas


Persona, Ingmar Bergman, 1966

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Luís Filipe Cristóvão com Sulscrito na Feira do Livro de Faro

O Sulscrito, à semelhança com o que aconteceu no ano passado, vai estar na Feira do Livro de Faro que decorre no Jardim Manuel Bivar (junto à Doca) de 27 de Julho a 12 de Agosto.No nosso pavilhão poder-se-ão encontrar à venda várias publicações independentes portuguesas e espanholas difíceis de encontrar nas livrarias.Estarão à venda todos os números da colecção literária bilingue “Palavra Ibérica”.Estará patente uma exposição de Reinaldo Barros, assim como vários escritos dos autores membros do Sulscrito.Haverá apresentações de livros, sessões de leitura abertas à participação do público (LerAlto) e a tão esperada apresentação do 1º número da revista de literatura “Sulscrito”.Apareçam para conversar um pouco, darem uma olhadela nas publicações e conhecerem os nossos projectos.

Programação do Pavilhão Sulscrito \ ARCA

Colecção Palavra Ibérica
Apresentações e sessões de autógrafos
(às 21h30 no pavilhão Sulscrito \ ARCA):

Dia 29 de Julho - “Pequena Antologia Para o Corpo”
de Luís Filipe Cristóvão.

Dia 31 de Julho - “As Moradas Inúteis” de José Carlos Barros.

Dia 7 de Agosto - “Só Mais uma Vez” de Uberto Stabile.

Outras apresentações:
(às 21h30 no pavilhão Sulscrito \ ARCA)

Dia 9 de Agosto
Apresentação do livro “Conversas Terminais”
de Fernando Esteves Pinto e sessão de autógrafos com o autor.

Dia 10 de Agosto
Apresentação do n.º 1
da revista de literatura “Sulscrito”.

Eventos:

Dia 5 e 12 de Agosto às 21 horas
LerAlto
sessões de leitura de textos originais pelos autores.
Se escreves vem ler, se não, vem ouvir.

O Som do Mar O Som da Minha Voz - Tertúlia Poética

Daniel Sant´iago (José António Gomes), Luís Filipe Cristóvão, Rute Mota e Vitor-Luís Grilo lêem os seus textos e conversam sobre poesia. Um final de tarde na Biblioteca de Santa Cruz que irá certamente preencher a todos com a emoção das palavras junto ao burburinho do mar.

Organização: Livraria LIVRODODIA
Local : Biblioteca de Praia de Santa Cruz
28 de Julho 19h00

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Ardem as trevas e outros lugares - Helena Carvalhão Buescu



ARTE POÉTICA

Sei bem que há anjos que gritam
e outros que permanecem mudos,
como se fosse possível sangrar
sem humano o coração.
E Quem, se eu gritar...

*

Quantas imagens de sombras e luzes
crescem no passo que atiramos ao tempo,
e com tristeza avançam entre as pálpebras
que fechamos
sobre as coisas, inamovíveis e restantes?
Temos vindo a ser (observas, percebo que hesitando)
o que pouco a pouco cada boca, cada gesto
em nós foi pondo, acrescentando: imensa ponte
em que tremendo fraquejámos: um chão manso, um louco
desafio.
Se as coisas têm, como dizem (acrescentas),
olhos e, sendo negros,
neles se torna fácil encontrar
a perda do antes dito,
de tal presença depois nos levantemos.
O fogo é da noite que quebra o corpo e o atira
ao infinito, e o lume que o atiça dos traços humanos
se desenha e bebe. Queremos violenta a noite.

*

Fora do mar tomba a noite de nós,
inquieta: é do desenho dela
que hoje traçamos, aqui, as linhas fugitivas.
Demos alguns nomes que nos damos,
mesmo sabendo que as águias também morrem,
como se desses nomes pudesse vir, tranquila,
a morte ou a memória: nenhuma nos espera.

*

O que vêem os teus olhos quando
distinguimos os trigos das marés?
Deitados, lado a lado te é cedo ou tarde recordar,
como os rios que correm sob a pele,
pulsando agrestes entre os dedos.
Atravessamos as horas, na temível espera:
instante em que a palavra ázima ao transitório tempo
diz o nome da pedra.
O que vêem os teus olhos quando
sem se moverem ardem as trevas?
De tudo isso consente que digamos
as sílabas igualmente rápidas –
e o que pintamos na pedra acesa
vê: sombra ou incenso.

*

Quem foi esse que o dia dispôs
antes de tudo, antes do mais,
na lembrança de descer sobre o meu rosto:
triste como o esmagar do impossível vento,
feliz como arado à noite reservado?
Quem foi esse cuja mão é de manhã,
que recebeu a coisa demolida e ali cai,
e assim se mostrando tão só,
tão tangível, tão disperso?
Quem foi esse de cuja pena fomos,
espreitando as sombras da palavra branca
com que se dizia ser matéria extinta?
E de quem pouco a pouco houvemos
um nome e um destino,
como se uma terra natural nos estivesse
desde sempre reservada,
de onde fosse vão sentir saudade?
Não sei, canção, não sei: mas mais iríamos sendo
se da inteira vida não julgássemos prover
dos dias e das noites, e do coração.
Tivesse pedra esse destino,
tivesse rosto o humano gesto
e nestes dias que hoje chegam
rumores e outras aves teriam feito da crescente casa

*

talvez miséria, quem sabe,
ou mágoa grande, mas certamente o gesto esmagando-se,
esse gesto que corto
ao acorrer-me a morte.
Faltam ao ar os sons que sobre nós deslizam.
Então traçamos linhas, juntamos passos, acrescentamos os
sinais,
à espera de que de tudo isto
cada um possa aprender como junto à nossa sombra cresce
a erva,
não por dentro, mas duro golpe.
Ninguém fala de termos olhos capazes,
rectos sobre a terra, sem mentir.
Ninguém fala de dissolvermos os enigmas apenas
para desdobrarmos, no fundo deles, os poemas
que os fazem iluminar.
Do alto do que pudermos olhar, e por outro lado:
quando a altura for de linho,
levemente roçaremos a miséria. Foi de outro modo, antes?
Seremos pássaro entre nós, o que
desaprendeu de andar, e de asas roucas.


Título: Ardem as trevas e outros lugares

Autor: Helena Carvalhão Buescu

Editor: Campo das Letras

pensamento para o dia de amanhã

nada é tão entediante como a santa terrinha.

terça-feira, 24 de julho de 2007

poemas


Edward Hopper
a diferença entre uma pintura e um livro, é que do livro nunca poderemos ter uma vista geral que nos faça sentir sobre a existência o peso do seu esplendor.

cortar poemas

foram escritos há um, dois anos, não consigo precisar ao certo no tempo, e estavam cada vez mais perto de ser coisa nenhuma - a tentação tinha sido acrescentar, acrescentar, fazer crescer um corpo para além do que ele poderia ter para dizer. então, no cruzamento de algumas fotografias desaparecidas e da insistência do antónio piñeiro, um galego que faz livros artesanalmente, dediquei-me ao corte. limpei o desnecessário, o acessório, o que nada dizia ou trazia, o que não fazia poesia da poesia onde parecia repousar. enviei-os assim, debastados. são um conjunto de poemas bastante descritivos, bastante completos e competentes na arte de explicar uma coisa que fica dita, não nas entrelinhas, mas nos silêncios que se farão de páginas viradas. e depois disso, desse cortar de poemas que são frases feitas na busca da perfeição, precisei de uma música que é tudo desconstrução, desde o ritmo às palavras (sons) utilizados.

esta noite o prazer tem o nome de tom zé.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

poesia & futebol

"Na defesa reinava Germano que, à parte o bigode, era parecido com o meu pai. A imagem que retenho de Germano, nesse jogo longínquo - durante o qual creio ter visto Costa Pereira descascar laranjas - fez com que, muitos anos passados, recebesse sem espanto a notícia da sua grande erudição musical. De facto, ele jogava com pauta."

Fernando Alves no Diário de Notícias (sublinhado meu)

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Dos preços dos livros II

"se para comer temos cuidados e procuramos produtos que sejam mais saudáveis, melhores, mais agradáveis (e não só mais baratos), por que não o fazer com um produto que só compramos por prazer ou interesse?"

Nuno Seabra Lopes no Extratexto

editor editor

17 em 18 editoras inglesas recusaram a edição a um livro enviado por um autor desconhecido. 1 em 18 editoras recomendou ao autor a leitura do livro Orgulho e Preconceito por o achar próximo em algumas passagens ao original recebido.

O problema é que o autor tinha enviado às 18 editoras uma cópia do próprio Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, apenas uma das autoras mais importantes da Literatura Inglesa.

Quem nos conta isso é o El País

Nota: Notícia chegada através do M.J.M.

pensamento para o dia de amanhã

Todos nós queremos, das coisas, as mais pequeninas

ser feliz sozinho

duas da madrugada
a dying song de john frusciante
o site http://www.world-of-cycling.com/

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Dos preços dos livros

No blogue da Livrododia, alguém designado como Maria, queixa-se do preço do novo livro Harry Potter and the Deathly Hallows, dizendo que na Fnac é mais barato. Por razões institucionais e porque o que eu passo a escrever é apenas uma opinião pessoal, respondo aqui.
Como eu já estou farto de ouvir dizer que os preços na Fnac são mais baratos, o que eu já percebi, aliás não custa nada perceber, basta lá ir e ver, gostaria talvez de explicar às pessoas que me dizem repetidamente que os preços da Fnac são mais baratos porque é que os preços da Fnac são mais baratos. Julgo que se todos tiverem três minutos para ler isto possam deixar de me chatear a cabeça com os preços.

Comecemos pelo óbvio - e esta informação está no site da Fnac, é pública, podia ter visto, Maria - o preço de venda ao público do livro é de 28, 5 € (vinte e oito euros e cinquenta cêntimos). É o preço que está no contrato de fornecimento assinado entre a Livrododia e a Penguin Books, e há-de ser o preço que está assinado no contrato assinado entre a Fnac e a Penguin Books. A partir daí, cada livreiro pode praticar o desconto que bem lhe apetecer, porque sendo um livro estrangeiro, não está debaixo da alçada da Lei do Preço Fixo que controla os descontos praticados pelos livreiros em Portugal (para saber mais sobre esta lei, pode ir ler aqui, Maria). Ora, acontece que no contrato assinado entre a Livrododia e a Penguin Books, a Livrododia beneficia de um desconto de 30% sobre o preço de venda ao público do livro. A Livrododia decidiu ceder 10% dessa margem para os nossos clientes e assim vende o livro a 25, 65 € (vinte e cinco euros e sessenta e cinco cêntimos). O desconto praticado para a Fnac pela Penguin Books não sei quanto será, mas pela lógica do mercado, será sempre mais de 40%, seja pela quantidade que a Fnac compra, seja porque a Fnac não vende livros de editoras que não pratiquem esse tipo de descontos (os livros mais baratos da Fnac não são uma cedência da Fnac aos seus clientes, são uma cedência das editoras à Fnac, Maria). Para vender o livro a 22, 95 € (vinte e dois euros e noventa e cinco cêntimos), a Fnac pratica um desconto ao cliente de 19, 5 % - está no site deles, Maria - o que significa que, sendo verdade que a Fnac disponha de um desconto da editora de, pelo menos, 40%, logo a Fnac ganha 20,5% em cada livro que vende, enquanto a Livrododia ganha 20%.

Ora, Maria, eu não quero ser a Fnac, nem posso ser a Fnac, não serei nunca a Fnac. A Fnac tem lojas em vários países, várias lojas em vários países, só em Portugal são mais de dez, e a Fnac cobra dinheiro pela exposição dos livros nas suas prateleiras, e a Fnac cobra dinheiro para que os livros apareçam nos tops de vendas e no site, e a Fnac cobra dinheiro extra às editoras por cada vez que abre uma nova loja e a Fnac dispõe de descontos superiores aos que a Livrododia dispõe numa média de 10%. A Livrododia tem duas pequenas lojas em Torres Vedras, expõe os livros que considera melhores, tem um top verdadeiro, coloca em destaque no site os livros dos autores que edita e daqueles que se dispõem a vir à nossa loja fazer sessões de autógrafos, é pressionada para pagar sempre sempre a 30 ou 60 dias sob o risco de ver os fornecimentos cortados, e para abrir a nova loja ou para realizar a Feira do Livro de Santa Cruz investe do seu próprio bolso, correndo o risco de estar a ganhar dinheiro e esforço das poucas pessoas que trabalham para a Livrododia para poder servir os seus clientes, estimulando e facilitando o acesso ao livro a todos aqueles que vivem ou visitam o concelho de Torres Vedras. Só para lhe dar um exemplo, no passado sábado, todos os sócios da Livrododia, alguns familiares e alguns funcionários, estiveram, gratuita e voluntariamente até às quatro da madrugada para que a Feira do Livro de Santa Cruz estivesse aberta ao público no domingo. E é devido a esforços desses que, pela primeira vez vai ser possível comprar um livro lançado em língua estrangeira no próprio minuto em que esse livro é lançado mundialmente no concelho de Torres Vedras.

Maria, se tudo isto não merece os 2,7€ (dois euros e setenta cêntimos) a mais que lhe custará comprar o Harry Potter na Livrododia, então eu peço-lhe, de verdade, que compre o livro na Fnac. Com certeza ficará muito mais feliz e bem servida.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

existencialismo século xxi



O Orkut perguntou-me se eu sou uma pessoa de verdade. Depois de lhe ter dito que sim, bloqueou-me.

literatura infantil

da série Black Books

sexta-feira, 13 de julho de 2007

O Poeta Nu - entrevista a Jorge de Sousa Braga

Por ocasião do lançamento das suas poesias completas na Assírio & Alvim com o título O Poeta Nu, entrevistamos Jorge de Sousa Braga, nascido em 1957 em Vila Verde, e que para além de intensa produção poética como criador e tradutor, é médico na cidade do Porto.

Pode-se falar, ao fazermos uma aproximação à poesia portuguesa dos anos 80/90, de um grupo de poetas, que para além de si incluiria João Luís Barreto Guimarães, Helder Moura Pereira, Daniel Pinto-Maia Rodrigues, para citar os exemplos mais óbvios, que praticam uma poesia apegada a um real quotidiano, bastante influenciada por leituras da poesia norte-americana do séc.XX. Houve em algum momento essa consciência de grupo?

Acho que não. Nunca houve uma consciência de grupo. São autores a meu ver com poéticas muito diferentes. Nem tão pouco eu me considero um poeta do real quotidiano, seja lá o que isso for. É óbvia a influência que alguns poetas americanos exerceram sobre mim (de Whitman em diante), influência essa contrabalançada por outra influência, a da poesia chinesa e particularmente a japonesa e a estética do haiku.

E porque é que essa poesia esteve arredada das aproximações críticas dos últimos anos? Falando no seu caso, acha-se um poeta demasiado fora da carruagem da poesia portuguesa?

São poucas as pessoas que fazem aproximações críticas e poucos os espaços. Na sua maioria são poetas e é natural que escrevam sobre poéticas com que se identificam ou raramente para fazer (o que é grave) proselitismo. Ou talvez o que escrevo não mereça atenção crítica. O que é importante é que os poemas façam o seu caminho e esse caminho é sempre o coração do leitor. Se algum dia entrei na carruagem da poesia portuguesa, como não gosto de andar de comboio, devo ter saído no primeiro apeadeiro.

O Jorge tem um sólido grupo de leitores que fizeram do livro O Poeta Nu, editado pela Fenda, um livro quase mítico. Entretanto, tem surgido mais associado a textos infantis e a trabalhos de tradução. Houve uma viragem na sua carreira de poeta? É uma evolução ou uma insistência na experimentação?

Penso que se publica de mais. Talvez eu próprio tenha publicado de mais. O que fica de um poeta (a não ser que seja um génio e mesmo os génios escrevem porcaria) são meia dúzia de poemas. Traduzo não só para conhecer outros poetas (e não há melhor forma de conhecer um poeta que traduzi-lo) mas também para “não escrever”. Em relação aos poemas infantis foram uma prenda para os meus dois filhos e é território onde não pretendo voltar.

Agora que completa 50 anos, volta a fazer uma revisitação ao seu trabalho poético. É o mercado (com livros esgotados e alguma ânsia de novidades) que o impõe ou há uma necessidade própria do criador que precisa de constantemente olhar para a obra que vai fazendo?

Este novo O Poeta Nu é uma reunião de todos os poemas publicados até agora, mais um livro de inéditos. Estava esgotado e como havia procura decidi reeditá-lo. O Manuel Rosa tornou isso possível. Não se trata de uma revisitação, porque raramente releio o que publiquei. Se houvesse um “mercado” para a poesia talvez fosse melhor deixarmos de escrever.

Quais são os poetas que o entusiasmam presentemente?

Os poetas que me entusiasmam presentemente são os que ando a ler. São poetas polacos. O Zbigniew Herbert entusiasmou-me tanto que traduzi setenta e tal poemas; ando entusiasmado também com o Adam Zagajevski e o Tadeusz Roseviczs.

Quais são os seus planos para o futuro?

Gostaria de escrever o “Novíssimo Testamento”.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Salvem os patinhos de borracha




No Público de hoje, a fantástica história de 29 mil patos amarelos, tartarugas azuis, sapos verdes e castores vermelhos. Para nos lembrar que a sobrevivência pode ser de plástico, mas os nossos oceanos não.

Livrododia - dois anos



Parabéns para nós...
Parabéns para nós!
A Livrododia faz 2 anos.
Parece que foi há tanto tempo.


A campanha de que se fala

A Igreja Católica reclama, a população de Getafe queixa-se, por todo o lado há uma sensação de choque perante esta campanha de angariação de sócios do Getafe FC, clube da Região de Madrid que joga na Liga Profissional de Futebol Espanhola.

E tudo isto, porque alguém assumiu que o futebol se sobrepôs a tudo, como se de uma religião se tratasse...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

a ponte submersa - Manuel da Silva Ramos


CHAMEM A SUZANA

1.
Passaram-se seis meses.
Caio agora sobre os castanheiros de Treixedo. Sou outra vez
útil, concitante, tenho o condão de aparecer lá onde sou menos
esperada.
Um bando de melros ao ver-me passar enfiou-se para dentro
de uma mina de água em Papízio. Um cuco deixou de cantar num
carvalho postado numa curva antes da Póvoa de João de Dias.
Agora vou com ligeireza até à Rotunda da Adega.
Bato agora com força no telhado preto de uma casa de Santa
Comba Dão. Entre duas estradas velozes.
O homem pequeno e seco limpa de pé as unhas com a ponta de
um canivete numa cozinha que brilha.
Caio agora sobre o meticuloso quintal, sobre a meticulosa
horta onde as couves altas fazem figura de nobres pagens, sobre as
alfaces aprincesadas, sobre a misteriosa salsa, sobre o plástico implacavelmente
novo da estufa, sobre o conífero que olha o IP3,
sobre o buxo impecavelmente cortado, sobre o Santo António que
amosaicado na parede da casa expõe a criança maternal, sobre a
bruxa cuja vassoura contém indícios de um interesse passageiro,
sobre o fio de estender a roupa onde nunca vi as cuecas do homem
pequeno e seco ao lado das da mulher.
É o mês de Novembro. Catorze dias depois do dia de finados.
O resto do dia vai ser um dia espaldado.
O sacristão Pinto não pode tossir. Tem medo de cuspir a Virgem.
Cuidadosamente, com um lenço imaculadamente branco
que lhe metera a mulher no bolso limpa o rosto da Virgem porque
viu nela um grão de pó – trazido pelos ares de Oliveira do Hospital.
Agora é uma gota miraculosa que tombou não se sabe donde,
translúcida, pacata, ominosa.
E que pelos vistos vem anunciar o fim do mundo…
Sou eu.
Volto célere de Fátima à Rotunda da Catraia.
São sete horas e Suzana ainda dorme no seu quarto, no rés-do-
-chão da casa modesta situada ao lado da estrada local, a um nível
inferior, entre árvores.
Suzana sonha.
Está numa passerellecom o mais deslumbrante dos vestidos
feito pelo Karl Lagerfeld.
É um vestido todo cortado e desigual, com grandes decotes e
grandes aberturas laterais, faz lembrar a chuva. E é de um verde
a tirar a crosta…
Ela exibe agora o seu corpo bem feito dentro desta seda que
é para festas…
Vai de um lado para outro, pára, avança, regressa ao mesmo
sítio…
A luz intensa dos holofotes fá-la suar. Sente que todo o seu
corpo está húmido, explicativo. Até a sua bela vagina rodeada de
alguns pêlos loiros está húmida.
Está feliz. É a primeira vez que participa numa passagem de
modelos no estrangeiro.
Viu o anúncio na Internet, mandou a sua fotografia, o seu curriculum,
foi aprovada, mandaram-lhe o bilhete de avião.
E agora estava nessa cidade onde não sabia falar a língua, mas
todas as pessoas eram imensamente simpáticas com ela.
As luzes são cada vez mais cruas e ela agora despacha-se a ir de
um local para outro com as poses menos desbravadas.
Disseram-lhe que haveria muita gente, e na verdade ela ouve as
respirações e às vezes um pequeno gritinho de espanto.
As suas longas pernas têm uma segurança espectacular e são
verdadeiros postes de orientação do trânsito.
Adora as suas pernas. A beleza das mulheres começa e termina
nas pernas.
Quando era miúda, por causa das suas altas pernas, a mãe tratava-
a por «escadote». Se ela pudesse ver agora o sítio onde ela
chegou…
De repente todas as luzes se apagaram…
Ela ficou no escuro, indecisa. Havia uma falta de electricidade?
Ou era uma avaria de gosto? Ou uma ordem do costureiro para
condicionar os compradores hesitantes?
Mas rapidamente a luz voltou…
Então olhou para a plateia…
Não viu ninguém…
Estava sozinha numa grande passerelleluminosa e na assistência
os lugares completamente vazios sonhavam…
Suzana acordou e voltou-se para o outro lado.

2.
Gosto de visitar os lugares já visitados.
Volto às margens do Dão depois de ter passado pelas mimosas
da Póvoa de João Dias e por aquelas impetuosas que rodeiam a
antiga estação ferroviária de Treixedo.
A erva está amarelada, curta. O rio tornou-se mais caudaloso
e os grandes pedregulhos meio alagados informam agora que os
homens continuam a dormir mal…
É sempre a calma antes do espectáculo clandestino. Vivi em
tantos países no estrangeiro por engano! Agora quero assistir de
novo ao fracasso da vida humana: quem pede perdão, misericórdia,
nunca é ouvido…
A minha solidão acabou por me tornar rancorosa mas eu faço
o possível por ninguém saber.
Vim mais uma vez até aqui para me proteger. Preciso de muita
coragem para assistir ao massacre das horas com âncora profundíssima.
Sou responsável pela vida dos indesculpáveis que sonham.
Suzana continua a dormir.
Ela gosta de dormir e também sabe que dormindo ela conserva
a beleza.
O seu sonho agora é mais perigoso. Mais dúplice.
Ela voltou para Portugal e agora está numa cidade de província
onde há a particularidade de existir só a noite, o dia foi liofilizado
e exportado para países janotas. É pois natural que nesse lugar
especial só existam velhos. E esses velhos estão naturalmente reformados.
E passam o tempo à janela. Suzana acabou o seu dia de trabalho
num escritório de gestão imobiliária na cidade alta e desce
agora a calçada íngreme que a levará ao seu quarto modesto numa
pensão temporária onde ela espera por dias melhores. São velhos
desdentados, trocistas, patéticos, sérios, zangados, mofadores, sorridentes
e superidentes, acusativos, maledicentes, alquiladores e
traficantes de carnes mortas…
– Casa comigo?
– Se fosses viúva pedia-te em casamento!
– Tem pena deste velho!
– Ó altiva, anda só fazer-me um bacalhau!
– Não queres nada deste velho mas olha que a tua beleza um
dia também será velha!
– Há tantas por aí e eu não caço nada!
– Ó menina, tem aí um comprimido para a dor de cabeça?
– Com esta menina vou até Almodôvar!
– Não sei qual das duas é mais séria: a minha mãe ou esta estouvaidosa?
– Oriente e ocidente! Tudo uma cambada!
– Dava-te metade da minha reforma!
– Até morta!
– Ontem conheci o Trio Odemira! Hoje esta menina!
– Sua puta! Sua puta desmanchada!
Suzana acorda violentamente. Alguém lhe retém o braço. Uma
dor persiste…
Mas é o seu corpo enrodilhado…
O homem pequeno e seco poisou o canivete…
Foi à janela da cozinha e apreciou a estrada que passava diante
da sua porta.
Era por ali que devia vir a sua beldade…
O alcatrão serpenteava quando chegava à sua casa e conduzia
a um beco sem saída. Ora, era como uma grande gaiola onde
entravam os ratinhos à procura do queijo. Depois era só dar-lhes
uma mocada na cabeça.
Adorava a Suzana, os seus longos cabelos loiros, as suas longas
pernas de verdade, a maneira altiva de ela falar com as pessoas,
até nem parecia uma pobre, adorava vê-la de costas, de calças, com
um vestido às flores que ela tinha, só que ela andava metida com
um brasileiro da Congregação Cristã e com um moço novo que
era seu colega de turma na Escola de Gestão de Oliveira do Hospital,
e isso, ele não perdoava. Andava-se a comportar mal, e ainda
por cima os seus avós não sabiam, ela escondia tudo…
O alcatrão muito negro fez-lhe vir à ideia o tempo de guerra
que não tinha feito. Chegara essa porcaria do 25 de Abril e ele já
mobilizado para a Guiné. Gostaria de ter dado umas mocadas nos
pretos depois de lhes ter desferido mais umas balas no estômago
já imobilizado. Odiava pretos porque andavam com esse cheiro
esquisito atrás das raparigas. Não eram civilizados. Aliás nunca
vira nenhum preto a meter uma carta na caixa do correio…
Dissera pois à Suzana que a conduziria à central de camionagem
e que não dissesse nada a ninguém, principalmente aos avós,
que o falatório podia muito bem começar, já que ele era casado,
a mulher não gostava que ele desse boleias a ninguém…
Agora olhava a estrada e pensava no corpo da Suzana…
Curiosamente o emolduramento deixava-o frio, não estava
excitado, até podia mijar nas suas botas altas vermelhas que ficaria
de mármore. Só que mais tarde talvez se produzisse outra coisa…
Pensou no último filme que vira sozinho. Um homem, que
tinha uma estalagem solitária perto de uma estação de esqui,
escondia-se por baixo da cama e sufocava as suas clientes femininas
com as suas almofadas quando ele as sentia gemer de prazer
na masturbação solitária.

3.
A minha teimosia pode parecer ao leigo e ao escorreito a mais
tenebrosa das doenças saudáveis.
Nem aguadamente, nem pingadamente.
Eu só respeito a geografia. A insistência da água. Ao querer
rodear-nos, a água torna-nos escravos dela. A uns pescadores, a
outros assassinos.
Hoje sou a chuva geográfica que por tudo e por nada se quer
misturar com o passado. Com as águas passadas.
Venham comigo, uiaras!
Quantas vezes o espírito humano esteve rodeado de água e foi
feliz. Mas foi preciso vir o doutor de Santa Comba Dão para construir
barragens. Essa Pinça Catedrática destronou o espírito português
com barragens. Meteu na mente de cada português uma
barragem. Rapidamente o povo ficou estancado e partazana. Os mais
espertos tornaram-se ratazanas d’água.
Barragem da Aguieira, Barragem da Raiva (também chamada
do Coiço), Barragem do Paul–Santa Comba Dão está rodeada de
barragens.
O homem pequeno e seco no passado foi um pescador solitário.
De anzol e carro ao lado. Tornou-se assassino, teve tempo de
meditar, de ver lugares insondáveis onde esconder as suas vítimas.
Os seus pensamentos tornaram-se líquidos…
Um dia falarei da bacia hidrográfica do Mondego…
Por ora, vejo que a Suzana acordou e vai tomar um duche…
Esta belindíssima gosta muito de água.
*
Título: a ponte submersa
Autor: Manuel da Silva Ramos
Editor: Publicações Dom Quixote

O Alento da Musa de Alberte Momán

Alberte Momán (Ferrol, Galiza, 1976), profissionalmente engenheiro técnico agrícola, é autor de diversas obras premiadas, como O lobo da xente (Edicións Positivas, Prémio Narrativas Quentes 2003), Erótica (Prémio Francisco Añón de Poesia 2004, publicado em Agosto de 2005 nas Edições ArcosOnline.com) ou O pasado nas horas (Prémio Rosalía de Castro, Cornellá, 2004). É membro da Asociación de Escritores en Lingua Galega.

Em Fevereiro de 2007 publicou O alento da musa (Difusora de Letras, Artes e Ideas), que está agora disponível para descarga em pdf neste blogue.

terça-feira, 10 de julho de 2007



"eu e os livros", fotografia de Rui Sousa, Póvoa de Varzim, 2006

café, bolachas, cadeiras



A nova cafetaria da Livrododia- Centro Histórico

arte poética

Um dia olhei para um prato onde repousavam duas sardinhas assadas os seus últimos momentos de inteireza, antes de as abrir bem devagar com a lâmina da faca, separar o peixe das espinhas, e levar à boca, sobre um pedaço de pão, esse sabor salgado de mar que se reconhece ao desfazer-se na nossa língua – olhei e vi um poema.

Aquele prato, naquele início de tarde de verão, calor, suor a escorrer-me da testa, já o tinha visto algures num poema de Alexandre O’neill e o que senti foi, tão só, um inteiro reconhecimento do meu ser com a minha própria cultura – essa coisa que vai crescendo connosco e que, dizem, custa a tanto a sair de nós, não sai nunca, como o cheiro da sardinha assada nos dedos.

Demorei algum tempo a mastigar aquele peixe – eu que quase nunca demoro tempo a mastigar seja o que for – como quem finalmente vê a luz no corpo de Cristo da missa de domingo. Naquele prato, naquelas duas sardinhas assadas, estava um país inteiro que não é um pedaço de terreno desenhado num mapa, são milhões e milhões de pessoas durante séculos inteiros, filhos do casamento e bastardos, regados com o sangue que escorre das uvas.

Um dia olhei para um prato onde repousavam duas sardinhas assadas – estava pousado na mesma mesa onde tinham ficado os poemas completos do O’neill, porque cá em casa é assim, as mesas servem sempre para muitas coisas ao mesmo tempo, como no meu país, onde ninguém é responsável por menos do que uma dezena de coisas, ou por sermos poucos, ou por vivermos no medo de morrer um dia e haver quem nos cole uma função desprestigiante debaixo do nome completo.





segunda-feira, 9 de julho de 2007

eleições (cover version)

Já tinha tirado o som

e pouco depois

apaguei a televisão.

perguntas com respostas

A Fátima Campos Ferreira decidiu fazer um debate com os 12 candidatos à Câmara de Lisboa para provar que aquele debate sobre o Porto não era assim mau?

perguntas com respostas

Eu não sou de intrigas, mas será que o Pinto Coelho vai ao solário?

Porque se tudo o que sobe, logo desce, o que faria a Floribella escapar-se a isso?


sexta-feira, 6 de julho de 2007

"somos 250 milhões"

A José Sócrates, basta juntar 2 pessoas numa sala cheia de jornalistas, para que se aplauda o vigor da língua portuguesa.

Enquanto isso, o Governo Espanhol continua a expansão, pela Ásia, do Instituto Cervantes, anunciando a abertura agora no Japão. Isso mesmo se pode ler numa notícia do Faro de Vigo, por ocasião do Vi Congresso da Associação Asiática de Hispanistas.

o que farei eu com este mercado?

Segue com todo o interesse, e atenção da parte da grande maioria dos agentes do mercado editorial português, o processo de entrada do investidor Miguel Paes do Amaral. Em resposta a um entusiasmo inicial com a mexida do mercado, passamos, com as notícias vindas a público hoje, a encarar o respectivo negócio com um olhar mais crítico.

Segundo o que se sabe, Asa e Caminho já terão assinado os respectivos contratos-promessa. Apesar do sector editorial não ter um grande passado sindical (outras vagas de despedimento, nos últimos anos, foram sempre tratadas com um profundo silêncio), as circunstâncias da Editorial Caminho são diferentes, e por isso mesmo não será estranho encontrar as notícias de futuros despedimentos recebendo algum destaque mediático.

Isto leva-me também a pensar que uma entrada de um investidor como Miguel Paes Amaral no mercado editorial pode não trazer grandes ganhos, nem imediatos nem futuros (apesar de podermos considerar que qualquer mexida em águas estagnadas traz sempre qualquer coisa de novo). Paes do Amaral não vai acrescentar nem experiência nem conhecimentos ao mercado editorial - quanto muito pode trazer gestão, mas isso, felizmente, já se ia vendo por aí. E se alguns dos grupos comprados pelo investidor poderiam estar a precisar de gestão, uma marca como a Caminho, que ao longo de 30 anos foi construíndo um dos catálogos mais sólidos do mercado, juntando a isso uma gestão solidária e um espírito de missão bastante apurado, não deveria (nem poderia) ser entregue ao seu fim de um momento para o outro.

Não se trata aqui de fazer nenhuma defesa radical da Caminho como ela é, trata-se, sobretudo, de chamar a atenção para um conjunto de factores que fazem uma editora. E não bastará nunca um bom editor, nem um bom gestor, nem um bom vendedor - é o conjunto desses elementos que fazia a Caminho funcionar e que, noutras mãos, perante outra realidade, talvez não venha a ser igual.

O mais provável é só podermos ver o resultado desta movimentação de mercado dentro de seis meses ou um ano. Mas até lá será necessário, e aconselhável, que os vários agentes e associações do mercado do livro português, possam discutir abertamente, aquilo que querem e aquilo que poderão ter no futuro.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Parece inacreditável...

Cada vez mais, os poetas “antenados”, os contistas de segunda mão, parecem necessitar das credenciais do mercado livreiro-editorial. Seus interesses coincidem com suas crenças. E todos se acomodam bem às regras de eficiência e competência exigidas por esse sistema literário, representação especular, embora com suas singularidades, das imposturas e imposições sócio-econômicas abrigadas sob o arco ideológico do livre mercado. Parece inacreditável, mas a literatura participa do conjunto das manifestações artísticas, sim. E isso causa um sério embaraço à maioria das grandes editoras. A literatura degenera quando dá as costas ao seu impulso de arte.

Ronald Augusto, em entrevista a Marcelo Ariel, no blogue TeatroFantasma (sublinhado meu). Confira a entrevista completa aqui.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Fundação José Saramago

José Saramago anunciou no Jornal de Letras a criação de uma fundação em seu nome que visa preservar e estudar a sua obra literária e espólio. A sede da fundação vai repartir-se entre Lisboa e Lanzarote, com representações em Azinhaga do Ribatejo e Castril (Córdoba).

Nesse anúncio, no entanto, uma coisa fica já clara - com a biblioteca pessoal do autor a ficar em Lanzarote, Saramago faz o seu statement para o futuro: ainda terão que aprender a ler-me em Portugal, eu quero ser investigado é em Espanha.

Olé!

terça-feira, 3 de julho de 2007

História da Edição

"as novas gerações tendem a pensar que, antes delas, só existia o caos e o vazio", diz o Manuel Alberto Valente, e com alguma razão. Ainda a semana passada um grupo de jovens que partia para o Canadá disputar o Mundial de Sub-20, dizia desconhecer o que se teria passado há uns 16 anos atrás, quando Figo e Companhia (na altura diria antes Peixe e Companhia, mas o futurismo é mesmo assim) foram campeões do mundo em Lisboa.

Mas as novas gerações precisam de alguém das gerações anteriores que lhes faça a história. E não vale de nada atirar a matar sobre os jovens quando uma grande quota parte da desinformação deles se deve, ora aí está, às gerações precedentes, tão pouco importadas em deixar registos do que foi feito. Uma história da edição? Ah, sem dúvida que sim, que é precisa. Não só para as novas gerações. Muita falta tem feito ela para quem há já muito se ocupa de editar e continua sem perceber que barco que mete água acaba por afundar...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

livros escolares


Alguns ainda não sabem bem como vai ser. Outros já sabem que vai correr muito mal. Dizem que os livros não vão chegar - e para já, para já, a culpa é do Governo que muda as regras todos os anos. Ouve-se dizer que as coisas só começam daqui a uns tempos, outros sussurram que já há quem esteja preparado.


Enquanto isso, paizinhos e mãezinhas atiram-se com unhas e dentes ao descontinho, à listinha, ao isto e ao aquilo - e não importam as editoras ou as escolas, a culpa é do livreiro que é um incompetente e não trata dos nossos filhos como se eles fossem as coisas mais importantes do mundo.


Sim, é isso mesmo. Começou a época dos livros escolares. A pior coisa que pode acontecer a quem passa os dias numa livraria...

18

quando crescer quero ser fantasma
penso isto ao escutá-los a jogar às escondidas
ou quando me levam à igreja
e os vejo a apanhar sol na praça

quando crescer quero ser fantasma
e penar nas bibliotecas
não ter fome nem sede nem sono
não perder tempo na cama
nem entabulando conversas estúpidas
todos os fantasmas são inteligentes

poderei soprar as ideias que me ocorram
escrever sonhos
e ler-los
quando os vivos estiverem a dormir

Galo Ghigliotto
(1977, Chile)
Traduzido por Luís Filipe Cristóvão

Ana Moura - Os Búzios

Provavelmente, o grande fado desta década. Simplesmente genial, tudo - a música, a letra, a interpretação.