segunda-feira, 11 de junho de 2007

nada para escrever

terminei, durante este fim-de-semana, a versão quase-definitiva do meu próximo livro que terá como título E como ficou chato ser moderno e que será lançado no próximo mês de Julho. foi uma luta de meses - primeiro a recuperar material que tinha ficado esquecido para lá do meu primeiro livro, depois a agrupar e escolher de entre o material que foi escrevendo propositadamente para este livro. não foi um processo fácil (e também por isso lhe chamo luta) - o livro começou por ser planeado para ser radicalmente diferente do que tinha preparado antes (que era um livro todo cérebro, todo razão), embora dentro de um espartilho que lhe desse um sentido lógico; no entanto, o que vai sair é realmente um conjunto de textos, alguns deles muito diferentes entre si, mas que revelam, a meu ver, suficientemente bem as fronteiras do meu espaço criativo. será como se, libertando de vez o processo de montar o livro de um plano formal onde assentar os poemas, conseguisse revelar muito melhor a presença de um espírito, de uma intensidade, que estava bastante escondida no título anterior. não sei que sentido faz estar assim a discorrer sobre um livro escrito por mim e que ainda ninguém leu - a verdade é que depois de um certo alívio por ver o livro terminado, esta manhã, ao sair do elevador para a rua, a sensação de vazio foi enorme - como se poucas horas depois de terminado um trabalho, logo se impusesse uma necessidade de começar outro. não me posso queixar - tenho duas traduções que me vão ocupar bastante tempo, tenho dois convites para publicar nos quais estou a trabalhar, tenho a revisão de uma série de outros livros - mas sei que o verdadeiro trabalho da palavra estará reservado para um próximo livro, um livro a vir, ainda não sei quando, e sei também que só essa ideia poderá voltar a preencher este vazio que é a de um escritor que, pela manhã, descobre que não tem nada para escrever.

3 comentários:

  1. sim , o vácuo.... esse que fica após os poema se esvaírem no torvelinho d'1 livro...é vago e vasto ...quanto baste...para de novo nos levar à frente de combate!...

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  2. É essa sensação de locomoção na busca da palavra que nos faz sorrir às manhãs, até às que dormem até mais tarde. Também no silêncio nos movimentamos.

    MLD

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  3. não tem nada (ainda) para escrever. Mas está contente com o que escreveu. Fiquei feliz por ti.

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