quinta-feira, 21 de junho de 2007

lentamente, a oeste do paraíso

é pequeno o meu mundo, se o olho como se ele fosse o de todos os dias, arma de trazer por casa, mal carregada, incapaz de magoar. é pequeno o meu mundo, o seu espaço maior é uma estação de onde partem os comboios para todos os lugares. aqui, sentados na estação, eu e o Rufus Wainright a ler poesia portuguesa, a dar ao pé devagarinho ao som das máquinas que mastigam, sem nela cravar os dentes, a linha. é pequeno o meu mundo - um telefone que toca, outro que se silencia, uma mão que me procura, outra que me afasta, uma palavra que fica por dizer, tantas outras que se repetem sem sentido. de que vale o sorriso fácil, a atenção? de nada - tudo se desfaz neste pequeno mundo, se o olho como se ele fosse, apenas, o de todos os dias.

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