sábado, 2 de junho de 2007

fogo

tinha diante dos olhos todo o fogo da vida, a queimar-lhe as unhas por dentro - como segurar um co(r)po nestas condições, como deslizar livre pela seiva do esquecimento - umas quantas perguntas a ecoar dentro dos olhos, a pestanejar muito, a pestanejar muito.
escreve o real, pediu-lhe ela, escreve o real, diz-me palavras bonitas mesmo quando chegares demasiado tarde ao meu funeral e já não sobrar terra para deitares sobre o meu caixão - e aquele olhar era uma dança que só seria possível nas distantes ilhas do pacífico.
a vida é qualquer coisa que se engole e fica a ovular dentro de nós - pés, pernas, braços, tudo sobre uma cama perdida no meio do mar - e a música que não pára, não pára nunca, mesmo que o incêndio ameace, um destes dias, apagar.

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