terça-feira, 12 de junho de 2007

Feira do Livro, entrevistas e algumas observações

Não me surpreende o teor geral da entrevista que o Presidente da APEL, Baptista Lopes, dá ao Diário de Notícias, em jeito de balanço da Feira do Livro (surpreendentemente, só se fala da Feira do Livro de Lisboa...). É que, e podem chamar-me chato, não fico nada satisfeito quando se continua a tratar o mercado do livro (e ainda por cima uma pessoa com responsabilidades por presidir à maior associação industrial ligada a este mercado) como se fosse a mesma coisa tratar resultados de vendas de um evento da dimensão de uma Feira do Livro e dar opinião sobre um romance fraquinho que se tresleu.

Ora vejamos o que diz Bapista Lopes:
- "devido aos resultados pouco animadores da feira de 2006" - mas quais foram os resultados?

- "A menor participação da CML devolveu a feira aos editores" - mas a uma semana do evento dizia Baptista Lopes que não sabia ainda que tipo de espaços haveria para outros eventos na Feira do Livro.

- "A indicação é a de que houve mais público e o volume de negócios foi superior" - Sim. E os números?

- "Não houve redução do volume de negócios em nenhuma circunstância" - E os números?

- "a subida das vendas situa-se entre os 20 e os 40 por cento face a 2006" - Ah...os números. Mas espera lá, não, isto ainda não são os números!!

- "Quanto menos a autarquia se envolver, melhor a Feira do Livro" - Já agora, com que números participou a Câmara de Lisboa, hein?

- "Também no Porto houve maior afluência de público e mais receitas" - E contam eles as entradas para chegarmos a este número: maior.

Uma pessoa lê esta entrevista e parece que o Baptista Lopes fez o mesmo que eu, que foi ir à feira três vezes, espaçado no tempo da sua realização, e perguntar a alguns editores como estava a correr a feira. Ou seja, nos primeiros dias estava fraco, entretanto melhorou o tempo, começou a aparecer mais clientela, e no final pode dizer-se que a Feira foi um sucesso (pelo menos, a medir com o olhar, foi).

Agora o que não se pode esquecer é que, para além de preços um pouco mais baixos, das promoções para esvaziar armazéns e dos livros arrumados por editora com um atendimento, em média, mais preparado e conhecedor do que nas livrarias, o que a Feira do Livro oferece é Zero - não existem eventos culturais, não existem espaços de lazer, não existe sequer qualquer tipo de animação que decorra durante as três semanas da Feira. E isso, para mim, não é forma de tratar o livro.

1 comentário:

  1. Subscreve-se o que aqui se diz, sem tirar nem pôr, rigorosamente nada.

    MLD

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