terça-feira, 5 de junho de 2007

bullying

nem sempre me considerei um tipo com sorte - a verdade é que durante parte da infância e adolescência fui atacado por diversas coisas que costumam ser um alvo fácil para um monte de crianças idiotas - comecei a usar óculos com 7 anos, por volta da mesma idade, e durante longos meses, usei aparelho, sempre tive corpo suficiente para me acharem gordinho, tive um monte de acne que me fez andar borbulhento durante vários outros anos, não era o gajo mais comunicativo sequer da minha carteira na escola preparatória e esta lista ainda podia ser maior, bastava que perdesse mais algum tempo a pensar nisso. tive tudo para ser um alvo fácil e em algumas ocasiões fui: fugi de colegas da escola, fingia que não estava em casa, não me aproximava das raparigas. isso levou-me, felizmente, não a desenvolver um medo ou pânico que me acompanhasse para o resto da vida, mas ensinou-me, sobretudo, a ver melhor como os outros reagiam, a reconhecer-lhes os pontos fracos, a perceber a psicologia humana.

hoje em dia, muitos daqueles que tiveram os seus quinze minutos de atitude a gozarem com a minha cara (ou com qualquer outra característica minha), engolem em seco por, nos jantares de amigos, não terem muito mais para contar do que as suas pequenas façanhas de putos reguilas. ao contrário, eu, que nunca fui um puto reguila, continuo muito à minha maneira, a fazer o que me dá na gana. o que é facto é que aprendi a não me calar perante as situações, aprendi a gerir a minha raiva e aprendi que, como se diz na gíria futebolística, a melhor defesa é o ataque - pode custar dizer ou levar com as coisas na cara, mas nada melhor do que reconhecer os nossos telhados de vidro antes que nos comecem a atirar com as pedras.

embora possa parecer, isto não vem a propósito de nenhuma notícia sobre bullying. pelo contrário, isto vem a propósito da quantidade de gente que leva a sua vida a tentar chatear os outros. a boa notícia que eu tenho para todos aqueles que já foram chateados (e consequentemente a pior notícia para os restantes paspalhos) é que o sucesso é sempre maior do que a inveja, e se acreditamos mesmo na nossa capacidade de ser bem sucedidos, não há má-língua que possa diminuir isso. para os outros rebentos-de-soja-de-beira-de-prato, façam qualquer coisa por vocês, sem dependerem do sofrimento de ninguém, sei lá, qualquer coisa assim do género mesmo fácil e heróica, como engolir um pau de gelado... e deixem-se de tretas, finalmente!

3 comentários:

  1. "engolir um pau de gelado" .. bom .. fácil isto não? ;)
    Gostei muito de ler. De facto "get a life!"

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  2. "As provações que não nos matam, tornam-nos mais fortes". Creio que o que somos advém dessa amálgama megalómana de potenciais personalidades que é a nossa infância. Sente-se isso no modo como se age e isso é gratificante, por vezes analgésico. Um pequeno senão: também no modo como se escuta se revelam as nossas fraquezas. Creio que não é o caso. Afinal, existem muitos modos de comer o mundo. Que este seja saboreado.

    Mário Lisboa Duarte

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