segunda-feira, 25 de junho de 2007

Adriana Falcão - A Entrevista

Adriana Falcão nasceu no Rio de Janeiro. O seu primeiro livro para o público infantil, Mania de Explicação, teve duas indicações para o Prémio Jabuti/2001 e recebeu o Prémio Ofélia Fontes — O Melhor para a Criança/2001, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2002, publicou Luna Clara & Apolo Onze (publicado pela Ambar em 2006), o seu primeiro romance juvenil. O seu romance A Máquina foi levado ao palco por João Falcão. Na televisão, Adriana colaborou em vários episódios de A Comédia da Vida Privada, Brasil Legal e A grande família, todos da Rede Globo. Adaptou, com Guel Arraes, O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, para a TV, posteriormente levado ao cinema. Outros livros da escritora: Pequeno dicionário de palavras ao vento (2003); A tampa do céu (2005)-ilustrações de Ivan Zigg e, em conjunto com outros escritores, Histórias dos tempos de escola: Memória e aprendizado (2002); Contos de estimação (2003); A comédia dos anjos (2004); PS Beijei (2004); Contos de escola (2005); O Zodíaco – Doze signos, doze histórias (2005); Tarja preta (2005).

No Brasil, a Adriana é uma reconhecida argumentista para televisão e cinema e tem já uma longa lista de títulos para públicos variados - infantil, juvenil, adultos. Em Portugal, foi dada a conhecer através do romance juvenil Luna Clara e Apolo Onze, que nos foi apresentado como um livro influenciado pela História do Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado. O Nobel brasileiro é uma influência da tua escrita? E que outros autores te marcaram ao longo da tua vida de leitora?

Infelizmente não li História do Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. Aqui no Brasil, Jorge Amado foi um escritor tão popular que nos rendeu grandes filmes e novelas de TV. Esse foi o meu primeiro contacto com a sua obra, ainda menina. Depois comecei a lê-lo e me apaixonei por Capitães de Areia, uma beleza de livro. Os autores que mais me marcaram: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Saramago, Ítalo Calvino, Borges, Cortázar e Gabriel Garcia Márquez. Uma geração de cronistas brasileiros da década de 60: Antonio Maria, Rubem Braga, Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos (este último é uma inspiração constante). E eu sempre digo que minha vida mudou depois que li O Estrangeiro de Camus, e descobri Fernando Pessoa. Talvez Pessoa seja o autor que conheço mais profundamente, de tanto voltar aos seus livros. No caso específico de Luna Clara e Apolo Onze minha maior influência, creio, foi Garcia Márquez. Ao começar a escrever o livro, pensei assim: "vou tentar fazer realismo mágico para jovens." Não sei se consegui. Mas adoro literatura fantástica.

O primeiro livro que lançaste era uma história infantil. Mas julgo que antes, já trabalhavas para a televisão. Como se deu essa entrada no mundo do audiovisual?

Estranhamente, tudo aconteceu ao contrário. Em 1999, eu escrevia para a série Comédia da vida privada, da TV Globo. Neste mundo audiovisual, sou apaixonada por diálogos. Então, os actores começaram a me procurar para fazer projectos deles, em geral, peças de teatro. Ao tentar escrever uma peça, acabei escrevendo o meu primeiro livro, A máquina, que foi adaptado para os palcos e para o cinema por João Falcão. Virei escritora por acaso. Uma revista me convidou para escrever crónicas. Uma das crónicas que escrevi se chamava "Mania de explicação" e um editor teve a ideia de transformá-la em livro infantil. Escritora por acaso outra vez. Daí eu achei que esse negócio de literatura não havia entrado na minha vida por acaso, e segui a escrever outros livros. Hoje, além dos livros, e de roteiros para cinema com os quais eu colaboro, ainda escrevo para a TV no seriado A grande família. O destino, a sorte e os deuses da literatura me abençoaram.

Para além de estares publicada em Portugal, os teus livros estão publicados em outras línguas. Já visitaste algum país estrangeiro na condição de escritora? Qual é a tua relação literária com outros países?

O Luna Clara e Apolo Onze foi publicado na Itália. Infelizmente, não sei italiano, pois seria muito bom compreender a tradução. A minha relação literária com outros países é nenhuma. Uma pena. Eu iria para o evento Lisboa - Cidade do Livro - em Maio passado, mas minha ida terminou por não acontecer. Como aqui no Brasil não consigo sobreviver como escritora, e também escrevo roteiros para TV e cinema, já visitei alguns países como roteirista. A máquina, O auto da compadecida e Fica comigo esta noite participaram de festivais de cinema em Paris, Bruxelas, Miami. Aliás, sinto que os eventos ligados ao cinema têm mais espaço do que aqueles ligados à literatura por aí, pelo mundo. Para quem é apaixonada por literatura, como eu, só há o que lamentar.

As várias áreas de trabalho da escrita, acredito, serão para continuar... Quais são os teus próximos projectos e o que te vês a fazer daqui a 20, 30 anos?

Acabei de escrever um roteiro para cinema, adaptado do Comédia dos Anjos, junto com o João Falcão. O seriado A grande família é um enorme sucesso no Brasil e provavelmente continuará no próximo ano, e, quem sabe, mais outros. Mas a minha grande paixão são os livros e por isso pretendo começar logo a pensar no próximo. Por enquanto ando burra. Vazia. Lendo muito para me reabastecer. Imagino-me daqui a 20 anos uma velhinha alegre, cheia de netos, cães e gatos, a escrever muitos livros, de todos os estilos, para todas as idades. Deus me ajude.

Obrigado, Adriana, e muita sorte para a tua carreira.

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