segunda-feira, 21 de maio de 2007

solidão

num espaço pequeno dentro de nós, uma luz esforça-se por se manter acesa - tem a voz fina, uma aparência frágil se a pudessemos ver, os dedos tremem-lhe. num espaço pequeno dentro de nós, onde mal nos conseguimos mexer, essa luz sente os ventos e os sopros que insistem em apagá-la - e quantas vezes não se sente isolada de tudo o resto, apesar da insistência contínua das tempestades. num espaço pequeno dentro de nós, parece que tudo vai caber a cada dia, a cada chegada - e se corremos tanto é por não sabermos bem onde parar, neste reduzido espaço que cada um tem para si. às tantas, sentimos esse aperto na garganta e parece que nos vai custar respirar - esse aperto é a possibilidade de imensas pessoas de todos os pontos do mundo poderem chegar até nós com um simples click, uma simples ligação ao satélite ou à rede certa. mas é quando voltamos a esse espaço pequeno dentro de nós, quando podemos puxar para cima dos ombros o lençol, quando podemos caminhar à chuva e pôr as mãos na terra, que sabemos como esse pequeno espaço é infinito. e, nesse dia, sorrimos de maneira diferente.

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