segunda-feira, 28 de maio de 2007

preparação do poema

encontro o poema devagar - ficou esquecido no papel, guardado com cuidados entre outras páginas escritas de menor valor, não sinalizadas. encontro o poema e olho-o como quem procura um sinal do tempo que passou - o que restou? o que sobrou? quantas linhas ainda ficaram por preencher passados tantos dias?
passo-lhe os dedos pela face e tento escutá-lo - estou a aprender a reescrevê-lo, é isso quando se faz quando se apaga o tempo entre a escrita e a leitura, entre a criação e a sublimação das palavras. passo-lhe os dedos pela face, volto a abrir o meu coração - estava bem capaz de sentir bater em mim esta sensação de finalizar uma obra que fosse perfeita.
sei que nada acaba nunca, muito menos um poema. sei que os vou transportar a todos comigo, sempre impulsionado pela tentação de querer refazer, repensar, aquilo que já foi grafado pelas máquinas no papel. sei que nada acaba nunca, muito menos um poema - coisa a que até já se dá número de registo e título com direitos de autor, mas que segue fluíndo até ao silêncio que há-de ser a morada de todos os nós.

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