sábado, 26 de maio de 2007

Pequeña Antología para el Cuerpo



Está a chegar a Pequeña Antología para el Cuerpo, uma série de 22 poemas de minha autoria, publicados pelo Ayuntamento de Punta Umbria (Huelva, Espanha), no âmbito da colecção Palavra Ibérica. A tradução é do especialíssimo Manuel Moya e contou com a revisão do meu querido amigo António Alías. A capa é a escultura "Corpete" da Leonor Brilha.

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Não sei bem ao certo mas como o imagino é um corpo pequeno a correr
por ruas ainda por fazer. Não sei bem ao certo mas como imagino a situação
são pedras pelo chão e terra e talvez num dia nebuloso ou talvez isso seja só um
acrescento da imaginação a tudo aquilo que eu estou a imaginar. Não sei bem ao certo
mas como eu o vejo é a ser surpreendido numa esquina, atrás de uma árvore,
qualquer coisa. Como os estranhos se aproximam de uma pessoa e falam.
Isto pode explicar todos os medos que vieram depois desse dia e se espalharam
como água que sai de uma máquina de lavar avariada. Não sei bem ao certo mas
também eu nunca sei nada bem ao certo. Não sei bem ao certo mas foi assim,
assim mesmo que se passou. Agora me lembro e quando me lembro dói-me o pénis,
sinto-o desaparecer. Agora que me lembro os meus olhos deixam de ver as coisas
como é habitual aos meus olhos verem as coisas e começo a ver as coisas
de outra maneira em que parece um túnel entre mim e o mundo e depois
estão todas as coisas longe de mim e depois eu estou ali na mesma, mas
como os olhos vêem aquilo. Os meus pés começam também a ganhar outras formas
e essas formas nem sempre se adaptam bem ao chão e como não se adaptam ao chão
eu tenho medo e quando tenho medo, não sei bem ao certo, mas acho que ele também
teve medo há muitos muitos anos atrás e fico com o medo dele e do medo dele
eu vejo uma pessoa grande e com barbas que se aproxima e lhe fala como falam
os estranhos, o medo cresce, dá vontade de fugir, mas nem os olhos nem os pés
nem nada em mim/nele é como é costume ser e não se consegue fazer mais nada .

10
No lo tengo claro, pero tal como lo imagino es un cuerpo pequeño corriendo
por las calles todavía sin levantar. No lo tengo claro pero tal cual imagino la situación
son piedras por el suelo y tierra y quizá en un día nuboso, o tal vez sólo sea
un añadido de la imaginación sobre todo lo que estoy imaginando. No lo tengo claro
pero como yo lo veo siendo sorprendido en una esquina, tras un árbol
algo. Como los extraños se acercan a una persona y hablan.
Esto explicaría todos los miedos que vinieron tras ese día y se desparramaran
como el agua que sale de una lavadora averiada. No lo tengo claro
pero tampoco es que yo tenga nada claro. No sé si claro, pero fue así,
fue tal que así como pasó. Ahora me acuerdo y cuando me acuerdo me duele el pene,
lo siento desaparecer. Ahora que me acuerdo, mis ojos dejaron de ver las cosas
como es habitual a mis ojos ver las cosas y comienzo a ver las cosas
de otra manera en que parece un túnel entre el mundo y yo y luego
están todas las cosas lejanas a mí y luego estoy yo, como siempre, pero
como los ojos ven aquello. Mis pies comienzan a ganar otras formas
y esas formas no siempre se adaptan bien al suelo y como no se adaptan al suelo
tengo miedo y cuando tengo miedo, no lo tengo claro, pero veo que también él
tuvo miedo hace ya muchos muchos años y me quedo con el miedo de él y de su miedo
yo veo una persona grande y con barbas que se acerca y le habla como hablan
los extraños, el miedo crece, dan ganas de huir, pero ni los ojos ni los pies
ni nada en mí / en él es como suele ser y nada se puede hacer.

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