sábado, 19 de maio de 2007

message in a bottle

não estou mais sossegado, nem pressinto que seja agora que a paz venha a reinar dentro de mim. simplesmente ganho a consciência de que a vida é uma linha contínua, de nada valendo pensarmos que vamos mudar total ou radicalmente com o passar dos anos. vamo-nos conjugando em diferentes tempos verbais, consoante a idade, consoante aquilo que os nossos olhos nos permitem ver e pensar. agora já sei com o que conto, depois de uns dois anos iludido (uma vez mais) com o "já me passou", "já não volta a acontecer". sim, acontece sempre, aquilo que nunca deixou de estar cá dentro. como é que eu explico isto se me custa a falar? não sei. tenho um nó que não me deixa sequer dizer que o nó existe. os olhos só choram quando estão fechados em casa, longe de outros olhos. as mãos, as pernas e os braços tremem muito quando é de noite. sim, gosto de estar sozinho. mas não pela solidão. basicamente prefiro ficar nesse mundo em que eu me deixo estar comigo, não sabendo estar com mais ninguém. não é um espaço cheio, não. é um espaço que vai ficando por ocupar. e onde cada sorriso é uma terra desconhecida que se volta a encontrar, depois de tanto tempo no deserto.

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