é sempre igual de manhã - o despertador à mesma hora, a voz do homem da rádio a repetir as notícias, o estado do trânsito em cidades longínquas, o tempo para o país inteiro e ilhas adjacentes. é sempre igual - a cara feia no espelho da casa de banho, a água a correr no chuveiro, a pasta dos dentes a ficar espalhada pelo lavatório. é sempre igual - o caminho para o trabalho, a rotina do balcão, os bons-dias funcionários dos colegas. é sempre igual - menos a vontade de levantar, que vai mudando consoante a noite, consoante o sono, consoante a agenda. é sempre igual - menos o beijo que aparece mais doce, o olhar mais interessado, o dia do calendário. é sempre igual, é sempre igual.
"Hoje,
ResponderEliminarApenas cataratas de solidão,
E, imóvel no meu sofá,
Aguardo por poderes sobre-humanos,
Do tipo levantar com a mão no ar,
E fazer chegar até mim,
A divina garrafa de ambrósia
Que me contempla do seu pedestal,
Como musa das atrocidades
E dos poetas mal-formados.
Antes fosse absinto, Alexandre.
Antes fosse absinto,
Que ao menos sempre dava
Para o sorriso na cara."
Mário Lisboa Duarte, Psicoterapia, in www.margemdarte.blogspot.com
Abraço
Subscrevo!
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