terça-feira, 29 de maio de 2007

Haiti

todos nós procuramos um paraíso que desconhecemos - um lugar onde nos vamos sentir bem - mas à custa de quem? olhamos pouco para os olhos uns dos outros quando toca a fazer algo que nos doa (ou mesmo quando apenas é preciso estender uma mão, dizer uma palavra sem gaguejar). para os poemas, como lamentou Roque Dalton, ficou então a função de, mais do que palavras, alertar as pessoas, criar novos campos de imaginação, chamar-nos para o que é nosso e para o que devia ser. um poema impede-nos de ficar calados - e quanto grita um coração perante um poema mais forte do que um punho. por isso eu cresço perante as palavras de Caetano Veloso, em Haiti:

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

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