segunda-feira, 21 de maio de 2007

futebol

Sinto um certo pudor em escrever sobre futebol e quem me conhece à distância fica sempre entre o surpreso e o defraudado quando se apercebe que domino a constituição dos plantéis de várias equipas de muitos campeonatos, a lei do fora-de-jogo e associadas, a história de milhares de encontros disputados nos confins da memória. Esse pudor em escrever sobre futebol está directamente ligado à facilidade com que imensa gente se deita a dar opinião sobre o pequeno delito futebolístico, o jogo que se ganha, a falta que o árbito não assinalou, o discurso que o dirigente repetiu: há um imenso barulho à volta de tanta coisa que acrescenta pouco à arte e à beleza do futebol. É, provavelmente, para escapar a esse barulho todo que quase nunca escrevo sobre futebol. E foi por pensar nisso hoje que percebi porque decai a qualidade da democracia ocidental - não temos quem eleve uma voz de qualidade no meio deste foguetório todo.

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