quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

comboios, sol e chuva

o meu poema é o teu poema é o meu poema é o teu poema. deito a cabeça para trás no comboio e tento decidir-me entre adormecer ou ler mais um pouco. o meu poema? correr à volta do mundo com uma mala pesada debaixo do braço, comprar jornais e ler todos os livros de todas as prateleiras do mundo. o teu poema? um sono forte que me toma as pernas, os braços, o corpo reservado.

e então assim - estamos onde? - o comboio pára e é meio da viagem, a conversa de duas mulheres no banco em frente, a chuva que se desvanece por um sol nortenho. estavas capaz de dizer que esta história é um relato real de uma viagem e eu digo-te que não. olha bem em volta, um poema. um homem em pé, à porta, a fumar um cigarro. a partir de agora é sempre a piorar. assim seja.

vemos melhor as coisas quando estamos tomados pelas leituras que temos na cabeça. uma criança ao meu lado e quem é aquela rapariga que nos vem entrevistar? recomeço: um poema um poema um poema, o meu e o teu poema, quantas vezes mais ainda te poderás deitar à sombra sem que o luar te venha chamar ao fim do tempo. e então o poema era sobre o quê? não bem um poema, qualquer coisa que fica sempre por dizer.

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