sábado, 2 de dezembro de 2006

seguimento

e então ele diz assim - dor de cabeça - talvez fosse do despertador mas que dia era hoje - que dia era ontem - quarta ou quinta-feira, de semana, trabalhar - levantar os pés e deitá-los ao chão, abaixo da cama - mas que dia era hoje e que dia era ontem - sobretudo, quem era ele, ali, ao teu lado, a dizer - dor de cabeça.

e então começava outra vez - um livro pousado em cima da mesa - a andar pelo corredor da casa como se fosse uma dança - porque não, não era dia de trabalho, era o telefone a tocar para o vizinho - era a voz da mãe a querer que ele viesse para a mesa - eram cinquenta e seis anos dentro de um pijama com ursinhos- era uma enorme mania de fazer sempre as coisas que lhe mandavam.

e então ele diz assim - dor de quê? - ele que é ele ali ao lado - dor de cabeça - uma maneira de surdez ou, como se diz, eu não percebo e não consigo interpretar os teus sinais - cabeça - na cama, mais ninguém acordado pelo prédio inteiro - um livro - e era ou não era dia de trabalho, o subsídio de desemprego caducado - foi apanhado a trabalhar - mas era uma voz - o despertador - a dor de cabeça.

2 comentários:

  1. Normalmente sao elas q sofrem de dores de cabeca... mas ta' muito bom e para variar... beijinhos!

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