segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

qualquer coisa noite

qualquer coisa noite, ainda, e ele um café expresso na mão enquanto na rua dezenas pessoas num sobe e desce a rua, luzes de natal, casacos de peles e música de fundo um tanto irritante, sim, era isso. qualquer coisa noite, ele orientava-se assim, pelo que os olhos viam, mais nada, um homem e as suas sensações, nada de mais real, comentava, quando à noite fornicava uma das putas estrangeiras que frequentava.

já nasceu o deus menino, ao descer as escadas ele cantava para dentro, os olhos muito abertos e fixos no nada, o que ele via era um preto a correr na sua frente e depois um enorme clarão que tudo apagava, ele não se lembra bem de quê. já nasceu o deus menino, ele a cantar por dentro, e o natal em áfrica era uma coisa com muita cerveja e a televisão a passar os soldados daqui e de lá, ele sempre se sentiu um tanto excluído, não sabe bem porquê.

noite, noite, era de noite, sim, quando o preto a correr na sua frente e mais nada. no ficheiro que veio dentro de um dossiê, muito apertado debaixo das axilas suadas dizia tonturas, alucinações, espamos violentos. ele não sabia bem porquê. lembrava-se do preto e de ser natal, sim, e o clarão não tinha sido bomba nenhuma, o corpo dele continuava o mesmo. sim. o preto a correr e o pânico de matar alguém a disparar por dentro, sim, qualquer coisa de noite, luzes de natal, luzes de natal, sim.

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