sábado, 25 de novembro de 2006

novembro 25

Faz sentido - em sentido!! - não sei quantos anos depois e trazes uma arma carregada na mão apontada ao centro da minha face, entre os olhos- em sentido!!- e a quantidade de camisas verdes a marchar dentro da minha cabeça, o que eu te posso dizer é que tudo isto é um barulho que eu já não consigo aguentar.

dois homens de gravata levantados no meio da assembleia a aponta os dedos um ao outro - gritam!! - mas eu não os oiço com a música a passar ainda mais alto, é um teledisco, é uma data no calendário, são vinte e cinco tipos de barba feita a andar muito direitinhos pela calçada, sou eu a mudar para o lado de lá da estrada - a televisão na montra da loja.

"se o nosso amor é um combate" - algum sangue, sim, mas muito mais uma retórica de não ir a lado nenhum - tens um fato completo e uma gravata penduradas na porta do quarto quando finalmente acordas e percebes que é tarde demais, que todo este tempo que andaste a sonhar não passou realmente para mais ninguém a não ser para ti e agora apetece-te chorar.

em sentido!! em sentido!! - a arma apontada outra vez e ainda não sabes que idade tens, ficaste parado a urinar pelas pernas abaixo todo este tempo - és um fraco, és um fraco, repetes só para ti - em sentido!! - tomar café outra vez de braço dado com quem te maltrata, ajudar quem te pisa a calçar os sapatos, acabar na cama de quem nega a tua existência uma e outra vez mais.

em sentido!! - não vais mesmo a mais lado nenhum, apenas segues ao som da teologia musical - " o nosso amor é um combate" - e tu não acreditas, não acreditas nunca mais que alguma vez possa ganhar " a melhor parte" - em sentido!! - fim da história uma vez mais, a urina quente descendo as pernas, a arma apontada, que dia é hoje?

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