segunda-feira, 20 de novembro de 2006

fronteiras

se bem me lembro, a ideia era falar de fronteiras, linhas desenhadas em papéis de várias cores onde alguém deixou assinaladas as cidades com os nomes ainda de antigamente, aqueles nomes que lembravam senhores que haviam sido amigos do avô [ou do bisavô, sei lá] e que agora já não diziam nada a quase ninguém, ora porque o bisavô [e o próprio avô] já morreram há muito tempo, ora porque as pessoas da cidade não gostam de nomes antigos.

a ideia era, portanto, falar de fronteiras, linhas desenhadas mais na cabeça do que na estrada, porque ainda é possível pegar no carro e seguir caminho, andando milhares de quilómetros sem que ninguém nos mande parar, sem sequer nos apercebermo-nos que mudamos de país através da língua do locutor de rádio porque aqui já só ouvimos cassetes. fronteiras, espaços entre pessoas que estão dentro das suas casas e não se conseguem tocar, mesmo que o queiram.

falar de fronteiras, sim, como quem grita um nome e o vê revirar-se no ar antes que chegue ao ouvido de quem pretendemos a atenção, mudando assim de sentido e sentimentos, porque as palavras não são nunca iguais, deste e daquele lado de lá. fronteiras como se imaginam nos livros, estejam eles abertos, estejam eles fechados, não daqueles riscos que se fazem nas estradas [nem nos papéis], riscos que se fazem pelo meio das nossas cabeças e nos confundem o olhar.

3 comentários:

  1. sou o visitante 7200 do meu próprio blogue e já não sei se me vejo bem.

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  2. agora já se ouvem mais Cd's

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  3. Eu, o visitante 7228 deste blogue, e que já fui muitas vezes outro visitante de números anteriores, gosto muito de cá passar.

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