sábado, 4 de novembro de 2006

diálogo

diz-me uma coisa - quinhentos anos foram insuficientes para dares a volta aos mundos que trazes dentro da cabeça e ainda assim insistes em mostrar-te convencido de que és mais alto, mais bonito, mais forte - apesar dos resultados dos jogos olímpicos - enquanto outros menos despachados do que tu - o que é mesmo ser-se despachado? - já subiram e desceram muitas montanhas, descobrindo respostas e perguntas novas a cada passo.

diz-me uma coisa - era de noite e o carro seguia junto à berma, chovia mais que torrencialmente e tu continuavas a conduzir sem nenhum destino, algumas palavras vinham-te à cabeça, cheias de imagens de outras pessoas que falam e contam histórias que tu tentas e tentas perceber- o mar inteiro à tua frente: quinhentos anos, quinhentos anos: e uma maneira de dizer as coisas de forma a que alguém perceba, a que alguém te perceba.

diz-me uma coisa - vestir o mesmo casaco dos dias anteriores e levar o guarda-chuva debaixo do braço, sentires-te importante, falares alto às entradas dos cafés - era essa a tua história ou a história que terias para contar, ao menos fosses tu um pouco mais inteligente: quinhentos anos: um pouco mais da maneira que as restantes pessoas do mundo são: quinhentos anos: mas chamas-te apenas luís filipe cristóvão, tens vinte e sete anos e olhas espantado para o espelho agora que acabaste de acordar.

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