segunda-feira, 16 de outubro de 2006

portagem

querer encontrar por entre a chuva no retrovisor os faróis amarelos de um carro que nos tenta há imensos quilómetros ultrapassar: começar de novo a história que não é história, imenso nevoeiro logo pela manhã, boletim meteorológico a cair sobre as cabeças cheias de frases escritas - era então outra vez a mesma coisa e eu aqui a fingir olhar para o retrovisor: o carro parado.

tudo isto a propósito das dores de cabeça e dos corpos a boiar na piscina quando de noite caiu o trovão - era uma imagem macabra mas as imagens são o que são, não há que lhes dar muito valor: os olhos a traírem-me a cada momento, alguns polícias a correr pelo meio da estrada, o telefone sem rede, alguém a quem chamar: era isso tudo e a aflição do momento - era isso tudo e o não ter o que encontrar.

e depois recordar, ainda que distante, os faróis amarelos, duas moscas a voar por entre os meus olhos e o jornal, quinze euros de anúncios pagos pelos ouvintes em chamadas de alguns cêntimos- todos queremos a caridade da população, os abraços e os beijos retransmitidos na televisão privada, mas para que conta vamos nós descontar os nossos salários? - dizias então: era isso, era isso e tudo o resto em que não voltaremos nunca a acreditar.

Sem comentários:

Enviar um comentário