sexta-feira, 27 de outubro de 2006

novidade

teu corpo desfeito sobre a mesa - quanta mais roupa tenho que te tirar até ser dia outra vez? - algumas peças de fruta, um saco de batata frita, uma agenda com a maioria das páginas arrancadas: podias vir de sorriso nos lábios e eu sentir-me sempre num sábado de manhã, mas os meus olhos cansam-se e eu cada vez vejo pior. mais difícil é entender-me.

não queria dizê-lo aqui - há uma música de phil collins a ecoar-me na cabeça ou será antes na sala? - e eu reconheço que repetir perguntas não faz bem a ninguém, muito menos ao género de pessoas que, como eu, se deixa abater pela miopia ou pelo cansaço ocular: no seu caso aconselho-o a renovar as dioptrias cada dezoito meses. difícil é ter razão e acertar.

também me esqueci de jogar no euromilhões- quantas mais horas, enfim, a ver a roupa a ser pendurada no estendal do lado de lá da rua? - e eu que acordo a meio da noite a pensar no dinheiro farto e nas regalias da riqueza: o teu corpo, a mesa, maçã: todos nus encontrados debaixo do chuveiro, relógio biológico desacertado. perguntar o quê, para quê?

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