domingo, 17 de setembro de 2006

test-drive

vamos lá começar isto do princípio, de um lugar onde te possas sentar numa cadeira, tirar as canetas do saco e começar a fazer riscos em cima de riscos até que eu te olho por cima do ombro, com um beijo, e nos descubro aos dois, abraçados, com o papel a adivinhar-nos os gestos como um espelho.

vamos lá, voltar a colocar os livros nos seus lugares reservados nas prateleiras, escolher de entre os papéis os que merecem ser deixados dentro de gavetas, varrer, aspirar, abrir as janelas, deixar o sol entrar para dentro da sala, ajeitar as almofadas no sofá, deitar-me ao teu lado, abraçar-te.

e um pouco mais tarde, procurar um casaco e passear pelo jardim de mão dada contigo, saborear o som dos sapatos sobre a terra que desenha percursos entre relvas, sentir a cheiro fresco das árvores, procurar o jornal certo na papelaria, e seguir, seguir, sempre sempre de mãos dadas um ao outro.

e um pouco mais tarde ainda, um sorriso do tamanho do mundo inteiro, um descanso feliz, sim, isso, sim.

5 comentários:

  1. até aqui em Paris me fizeste também a mim suspirar

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  2. Ah. Descobri finalmente a origem do comentário "Paris? Ouh lá lá!" Parecia-me que não tinha nada a ver com nada...
    Luis, como se chama mesmo o teu livro?
    Abraço

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  3. Ok.
    Descobri o "Registo de Nascimento" aqui: http://diariodeumlivreiro.blogspot.com/2005_11_01_diariodeumlivreiro_archive.html
    A net é fantástica.

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