segunda-feira, 4 de setembro de 2006

telegrama

que horas são, digo-te eu a dormir, qualquer coisa depois de almoço, há quem lhe chame sesta - hmmm, o calor, este calor inteiro que cai em blocos e a lembrança de um rio a correr já não sei bem se para cima ou para baixo, estou habituado a ver estas coisas de atravessar ao contrário - eu venho do sul, mesmo que a minha cabeça não seja de lá, venho do sul, como os pontos da rosa-dos-ventos.

que horas são, digo eu com medo de me repetir, porque em certos dias parece que não saio do labirinto em que digo sempre a mesma coisa - ou seja, estava eu em pé, a ler, e parecia que não saía daquele mesmo verso, o mesmo eco, uma mesma história, uma mesma palavra, sempre, sempre, sempre - e depois havia alguém que me abraçava e me dava os parabéns, era um dia de aniversário, certamente, não o meu, mas de toda a gente.

que horas são, digo eu e doi-me a cabeça outra vez, talvez por causa do café ou da falta dele, a almofada que fique com as culpas da minha má disposição - e se encontrar alguém na rua ainda lhe vou dizer que é mentira, que nada do que eu escrevo é para acreditar, que apenas vou apanhando do chão palavras que me caem da boca - que horas são, que horas são, repito, repetição, palavras, palavras do chão.

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