terça-feira, 5 de setembro de 2006

o dia

para Eduardo Estevez

falamos baixinho entre os dedos que trazemos dentro dos bolsos a brincar com as canetas - foi assim que chegamos um ao outro. eu vinha de um quarto aberto para o campo e de uma manhã a brincar com a lâmina de barbear em frente a um espelho que não era o meu, ele vinha de um acordar sonolento junto daquela que ele já sabia trazer dentro um sonho seu.

não dissemos muito que não pudesse ser dito de outra forma - todas as conversas começam circunstânciais, como os complementos. depois, no meio de um almoço que nos sentou lado a lado, sem pensar, alongamos presenças de livros e de palavras, viagens que se fazem só com os olhos fechados, mesmo que ainda não seja de noite, para sonhar.

eu já sabia ao que vinha - as pessoas que trazem as suas mãos abertas ao encontro podem muito bem encontrar quem a isso se disponha - ele, ao que parece, também. quis a sorte, faltando melhor palavra chamo-lhe sorte, que dois dias depois desta dança de palavras, chegassem umas outras, tão esperadas sempre. vou ser pai. sim, foi o que ele me disse como se inaugura uma amizade - a que vai ter a idade do seu filho.

3 comentários:

  1. vinda de "rais partam isto" tropeçei no "mil nove sete nove". Belo tropeção!

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  2. moitas grazas por este presente, luís. con el inauguro un arquivo que agardo que o pequeno (ou pequena, que aínda non se sabe) poida mirar algún día coa emoción coa que nós o estamos vivindo.

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