quarta-feira, 16 de agosto de 2006

viagem rumo ao nada

ah, o sono, mas que horas são, rebenta-se um saco dentro da tua cabeça, ou no tapete do elevador, foste às compras mas esqueceste o essencial, compraste o que não precisavas, precisas ainda do que não compraste, e amanhã, que é quarta-feira outra vez sem esperança no mundo, o que vais tu dizer quando chegares e deres de cara contigo?

e que música era aquela, a que horas da noite, de que raio é feita à tua vida se te sentas em mesas onde ninguém parece ter uma palavra que te alivie, que te faça descansar, um segundo que seja: era só mais do mesmo, o costume, e tu, sem dares por isso, a consumires-te em lume brando para que no dia seguinte acordasses ainda com mais dores, dentro e fora de ti.

mas tu apagas a televisão, apagas sempre a televisão, e quando finalmente arranjas uma toalha de praia começa a chover, começa o inverno no teu coração: e era frio, e eram os teus dedos sem luvas, e era a tua cara chorosa que ninguém percebe, porque tapas os olhos com essas lentes escuras: e era, afinal, um fim diferente para esta histórias, mas tu não estavas lá, tu nunca estás lá.

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