segunda-feira, 28 de agosto de 2006

vento

dizer-te qualquer coisa como um milhão de vezes aquele movimento dos olhos que se levantam do papel e vão em busca de uma sombra que passa mas não é ninguém - melhor, melhor - e é alguém que nós insistimos em não ver, porque é um alfabeto que desconhecemos ou do qual já estamos cansados há demasiado tempo. era isto.

o vento, o vento - que idade tinha eu quando morri outra vez, dessa não me lembro ou - todos os copos a cair da mesa e os vidros espalhados à largura da sala, se eu sei dizer, se eu sei escrever com este vento todo, era a mesa a cair sem estrondo, dois corpos agarrados um ao outro, era qualquer coisa de violento mas sem som, sem som nenhum, só vidro partido espalhado pelo chão.

agora vamos ver se eu sei escrever com este vento todo - uma voz baixinha na mesma frequência dos passos que ecoam nas minhas costas - o olhar curioso que alguém deita sobre a minha mesa, a surpresa: para mim?: e a forma despida como me virou costas, o agradecimento inócuo e formal, minutos depois - não, eu não sei escrever, não sei, porquê insistir, com este vento todo.

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