terça-feira, 1 de agosto de 2006

sombras

eu gosto de te fazer perguntas esquisitas, como: queres ser mamã? gostas de me apertar os ombros?, e tu sorris devagar pelo comprimento da sala até desapareceres pela frincha da janela. eu tenho três dedos que adivinham, sussurro segredos às paredes dos prédios e invento novas fachadas para os meus casacos.

eu gosto de te olhar acima e abaixo, especialmente quando usas esses vestidos compridos que têm o nome estampado em letras vermelhas muito fininhas desde a cintura até aos tornozelos. tu saltitas pelas pedras da calçada e eu janto mais tarde porque há pessoas do tamanho de garrafas à minha frente na fila do multibanco.

eu gosto de espetar o dedo na vertical e ficar a olhar a sombra na parede branca: tu lambes a parede com gosto e algum sentido estético da devassidão - é assim que as coisas devem ser, digo eu e diz o meu amigo que é escultor e te procura nas horas em que estás mais distraída. quando chegar a noite, não digas que tens saudades.

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