terça-feira, 29 de agosto de 2006

qualquer coisa

qualquer coisa é fazer a revisão da matéria dada, um dois três macaquinho do chinês, a porta aberta e o mar inteiro, a carteira na mesa que fica no meio da sala, quem vem lá que eu não sei dizer: qualquer coisa é fazer a revisão da matéria dada, ser muito mais velho do que uma vida inteira, duas três hein?, qualquer coisa é abrir a janela e respirar, no final, uma última liberdade.

qualquer coisa é uma máquina fotográfica sem rolo, quinze dias a viver debaixo de água, o frasco do shampoo caído na banheira, os pés sujos porque na varanda não chove, acumula-se pó pela casa inteira, um sentido qualquer para tudo isto quando: qualquer coisa é uma pessoa que entra na nossa vida, põe e dispõe, vai-se embora - um traço pelo caminho e ficar à beira da estrada não seria solução também.

qualquer coisa é um poema que está por escrever há muito tempo alojado na minha cabeça, colar as costas contra o frigorífico, comer fruta que estava para apodrecer na cozinha, plantar um quintal no corredor da casa: qualquer coisa é não saber desenhar e, mesmo assim, fazer casas para cair, paredes que ficaram por dizer, por entrar pelos meus olhos dentro, qualquer coisa é fechar a porta, desexistir.

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