quarta-feira, 9 de agosto de 2006

pequenos

fazemos, em palavras pequeninas, o tamanho dos nossos dedos nas paredes - marcas que antes eram sujidade e agora são rios que escorrem pelos tapetes, inundando a sala de um perfume que me é difícil reconhecer. fazemos, sim, fazemos - eu e tu e tu e eu - um quadrado em volta das coisas que queremos, finalmente, dizer, embora não saibamos como.

como uma tesoura deixada em cima da mesa - palavras, palavras pequeninas - enquanto da janela um homem de chapéu insiste em perguntar pelos nossos cartões de identificação, que não se pode entrar, que não se pode sair. palavras, dizia eu - e saberás tu por acaso o que são verdadeiramente palavras, insiste o homem - criações de azul tornado forte pelo vento.

a tesoura e as paredes - pois também podia ser capaz de cortar tijolo à tesourada, tamanho dos meus dedos de cinco anos, nariz ranhoso, olhos muito abertos para o ar- e tu, pernas esticadas sobre o tapete, a saia a levantar-se devagar porque uma brisa, ou os teus dedos, os teus dedos, e qualquer coisa que renasce enquanto eu sorrio - era isso a que se chamava fazer amor, não era?

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