sábado, 26 de agosto de 2006

[mute]

para mim, todo este silêncio da barba a crescer por dentro dos olhos, comixão que a mão procura, fechada, pela cavidade ocular - quem me fez encontrou um certeiro equilíbrio entre o meu punho e a formatura do crânio em volta dos olhos, assim como uma peça feita em fábrica, medida e desmedidamente encaixada, para que eu pudesse sempre tapar os olhos com a força de quem sente as dores do mundo.

para mim, todo este silêncio da porta aberta para a rua sem sorrisos das pessoas que passam, umas quantas moedas esquecidas no bolso das calças e que rolam pelo soalho quando as dispo - era de noite, sim, era de noite, e não havia mais ninguém a quem pedir um abraço, mais nenhuma rua para calcorrear - aquela mulher abandonada precisava de tanto carinho quanto eu, trouxe-a para casa, fiz amor com ela, dei-lhe um beijo à despedida, hoje, estou certo, ela acordou feliz.

para mim, todo este silêncio de estares assim distante desde o dia em que te expulsei da minha casa, o dia em que te acompanhei até à estação dos comboios e te vi subir à carruagem com lágrimas nos olhos - não, eu não seria capaz de te dizer de novo que te amava, o meu coração não aguenta as minhas próprias indecisões, e só um grande amor te podia querer e repelir-te assim tão intensamente, só um um grande grande amor nos fazer dizer as coisas que eu disse, e deixar-te assim, partir, sem nada mais na volta que todo este silêncio.

1 comentário:

  1. Excelente blog;)

    Parece que és um amanate da poesia..

    deixo-te o meu blog de poesia. Espero que gostes:

    www.albertovelasquez.blogspot.com

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