segunda-feira, 7 de agosto de 2006

controlador aéreo

continuam a aterrar aviões em Pedras Rubras, e o meu olhar perde-se lentamente pela noite, junto ao mar, a imaginar quanto mais fogo-de-artifício vai rebentar na costa, fugaz iluminação de água salgada. à minha frente um casal de namorados masca pastilhas em silêncio, parece-me ser a sua maneira de comunicar.

continuam a aterrar aviões em Pedras Rubras, o rapaz levanta-se e ela segue-o, parece-me ser a sua maneira de comunicar. crianças passam a conduzir pequenos carros eléctricos, fazem corridas ou imitam os grandes, enquanto um grupo de franceses, uns quantos descendentes, uns quantos originais, como se pode ainda ser, passa olhando a fachada do casino.

continuam a aterrar aviões em Pedras Rubras, o grupo de franceses senta-se numa esplanada sobre a areia da praia, junto às barraquinhas dos antigos pescadores feitos donos da bandeira verde e da maré vazia. o meu olhar segue pela avenida dos banhos a fazer contas de cabeça às famílias que apenas ali estão para sentir a brisa fresca da noite.

continuam, ainda assim, a aterrar aviões em Pedras Rubras, e acabo por me sentar no muro a ver as pessoas que passam, cada vez menos, cada vez mais tarde. do alto da torre, alguém dá coordenadas que só um outro alguém, a muitos metros de altitude, percebe. cá em baixo, aterram aviões, e eu fico.

1 comentário:

  1. É como se estivesse lá, ao pé de ti... Vejo tudo o que vês... Sento-me ao teu lado e observo os aviões.

    adoro a maneira como escreves. é muito visual, muito crua.

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