terça-feira, 29 de agosto de 2006

2:00 a.m.

são duas da manhã e o que espero eu, a música no máximo das pequenas colunas do computador, os olhos a fecharem-se contra a minha vontade, a cama que chama, sozinha, no quarto ao fundo, são duas da manhã e o que espero eu, um toque, um sinal, uma entrada no msn, o meu corpo caído da cadeira sem nada que o segure, as palavras destes homens que me cantam o amor ao ouvido.

são duas da manhã e o que espero eu, voltar à hora antes do jantar e voltar a estar a olhar para o topo da Igreja no Jardim da Graça, encolher-me com a força do vento nas viagens pelas outras vidas, um corpo de mulher algures à minha frente, na minha cama, o quarto dos fundos, um duche de madrugada para esquecer que a sujidade existe, as minhas mãos as minhas mãos as minhas mãos que nunca nunca desistem.

são duas da manhã e o que espero eu, amanhã de manhã saio de casa e tu dizes-me que o mundo me ama, mando-te e-mails e não recebo resposta, estou à deriva nesta cidade, já te disse?, e o meu corpo que não existe vai-se desfazendo em lágrimas pequeninas enquanto a minha avó, em frente ao fogão, prepara o jantar e pensa, feliz, como o seu neto é exemplar, poucos dias, poucas horas até, antes de ele cair pelas pedras até ao mar, calmo e lúcido, para sempre.

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