quarta-feira, 5 de julho de 2006

um título como um daqueles filmes italianos

pisa devagar o tapete da porta da entrada, sorri desleixada, passa com a mão pela testa desviando os cabelos que te caem pelos olhos, diz bom dia, daquela maneira que tu sabes dizer bom dia. [pausa]


agora vem mais devagar, deixa os teus dedos enrolados nos pelos do meu peito, morde devagar o teu lábio, enxuga o canto dos olhos onde ficou a marca do vento forte ao virar da esquina. [pausa]


era bom que delimitássemos a área de intervenção do amor nas nossas vidas - criar quartos seguros onde adormecer e acordar pacificamente - vender a bom preço todas as memórias para aqueles que não tiveram tanta sorte como nós - ser capaz de não dizer idiotices uma vida inteira.


mais devagar, mais devagar. podes até fingir que não te interessa, quando os teus olhos se cruzam com os dele pela primeira vez. lá fora um carro buzina muito alto e tu segues serena. devagar, devagar. [pausa]


ainda mais qualquer coisa para fazer- e simplesmente voltar atrás.

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