sábado, 15 de julho de 2006

princesa

ela chegava e dizia assim, tenho vinte e quatro anos, falo três línguas, gosto de cantar e dançar, deixe-me ser feliz, e o tipo atrás do balcão sorria e dizia que sim - depois dava-lhe uma bandeja com copos cheios de cerveja e contava os segundos até que cerveja e copos fossem só uma grande papa no chão.

ela então saía e dizia assim, tenho vinte e quatro anos, deixei há pouco tempo a casa dos meus pais, sou bonita, não vou ficar a dormir na rua - o tipo a dizer que sim, que sim, dava-lhe um abraço, pedia-lhe desculpa, convidava-a para irem tomar um café num outro dia, ela ainda não sabia o que era esperar.

ela ficava e dizia assim, sou amiga do patrão, tenho os olhos claros e expressivos, sempre me trataram como se eu fosse uma princesa, e todos os homens lhe pagavam bebidas - depois, um dia de noite, ele fechou o bar e esqueceu-se dela lá dentro, ela não sabia o que fazer, ainda não sabia o que era escapar.

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